Sábado, 2 de Dezembro de 2006

Vai haver referendo sobre o aborto: Cavaco assinou a lei

Muita gente acha que o direito à vida não é para discutir, o aborto é homicídio e a lei nunca o poderia permitir. Aconselho o blog FILOSÓRFICO ( http://www.filosorfico.blogspot.com/ ) onde um jurista brilhantemente nos convence.

Mas a lei fundamental sendo a Constituição, defendendo ela a liberdade de pensamento, e havendo quem pense que o embrião não é pessoa, passível de ser defendida pela lei, há que provar que é uma pessoa (sabendo nós que o é em potencial) ou, como em democracia estamos, que deixar a decisão ao voto do referendo.

Porque sempre que há duas palavras diferentes há dois conceitos diferentes: ética não é o mesmo que lei. Ambas pretendem ser para todos, claro, mas cada um de nós tem a sua moral, que se refere ao que pensa ser a ética universal, e cada país tem a sua constituição, que se refere ao que o país entende ser a universal justiça (como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, para as nossas sociedades). É certo que se está a tentar criar uma ética abrangente, universal quanto possível, de que o Dalai Lama é um dos entusiastas. E que se está a tentar fazer um direito internacional, sancionado pelas Nações Unidas.

Mas, se respeitamos a liberdade de pensar, a lei tem que ser um instrumento que se dedique a regulamentar uma sociedade em que as pessoas pensam de diversa maneira. E, de facto, há muita gente que pensa que o embrião não é gente. Não só os materialistas mas também os espiritualistas que acreditam que o espírito só vem habitar o feto por volta dos três meses. Como pode a lei puni-las sem provar que o embrião é gente? Não se trata de fanáticos, como os nazis, que pensam sinceramente que os judeus não são gente— é fácil provar que os judeus são gente. Como é fácil provar que o embrião é gente em potencial. Aqui deve residir o problema.

Em potencial.

Mas, em potencial, também um óvulo é gente. E ninguém se lembra de punir uma mulher menstruada por não ter tido relações sexuais durante aquele mês; embora já haja quem se lembre de punir um homem que usou preservativo (a Igreja Católica, pecado venial), ou um que se masturbou (o Irão de Komeni, pena de morte). Em potencial poder-se-iam punir as pessoas que fizessem contracepção, ou mesmo as que se não casassem.

Assim como usamos a democracia para escolher a forma de governo, já que há várias opiniões, usemo-la para escolher a atitude face a este problema, respeitando todos. Ganha quem tiver conseguido convencer a maioria. Não ganha a Verdade, que a não conhecemos. Mas ganham os direitos humanos, que é o que há.

Entretanto, todos estão de acordo, mesmo os mais fanáticos materialistas, que o aborto é mau, traumatizante para a mulher, evitável. Não sabemos se punível.

estou:
publicado por paradoxosfilho às 02:19
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14 comentários:
De Alberto Brandão a 3 de Dezembro de 2006 às 15:48
Caríssimo e compassivo sobrinho:

Muito grato pela tua simpatia.
O teu blogue começa muito bem. Temos poeta !
Não estranhes se não o visitar com tanta frequência quanta desejaria. É que tenho andado a vender o meu peixe por tudo quanto é sítio ( perdão: “site”... ). Sinto-me como um jogador de xadrez em partidas simultâneas...
Os comentários em blogue próprio – um entre milhares ou milhões – não alcançam, praticamente, audiência alguma. E, nesta ocasião, como calculas, é o referendo o tema que considero prioritário.
Curiosa é a sensação de penetrar neste mundo virtual e caminhar entre uma multidão de anónimas sombras. É como lidar com fantasmas. E quando, ainda por cima, o tema é tão macabro, tenho a impressão de descida aos infernos. Mas, como o faço por dever de consciência, talvez se trate apenas de purgatório...
Acresce que tenho dificuldade em manejar as intrigantes ferramentas electrónicas.
Um apertado abraço e parabéns ... se isto aí chegar !


De paradoxosfilho a 3 de Dezembro de 2006 às 16:37
Obrigado! Mas esqueceu-se de comentar o texto: que tem a lei com a ética, para um jurista?


De Alberto Brandão a 5 de Dezembro de 2006 às 23:38


Olá, ParadoxosFilho...
Esta de te encontrar revestido do tal lençol fantasmagórico em vez de te abraçar em carne e osso causa-me calafrios. E não supunha que desejavas troca de ideias sobre o "potencial"...
Só hoje tive oportunidade de voltar ao teu blog e é já tarde. "Falarei" logo que possa. Com calma, que é como os caldos de galinha, que não fazem mal a ninguém.
Mais uma @ de abraços.


De paradoxosfilho a 6 de Dezembro de 2006 às 18:01
Obrigado pelos comentários. Claro que tem razão: o assunto dá pano para mangas! Incidentalmente, noto que este blog não é anónimo, eu serei uma sombra mas visível e com e-mail em "saiba mais sobre mim" na barra lateral. Um abraço amigo, Zé António


De Alberto Brandão a 7 de Dezembro de 2006 às 12:42
Caríssimo Zé António.

Vamos lá a ver se alinhamos as ideias.


Lei e ética

Quanto ao que terá a ver a lei com a ética, limito-me a observar que tem tudo. Ou jamais poderíamos falar sequer em leis injustas. Que, em concreto, várias leis possam ser justas para uns e injustas para outros, só significa que o padrão de justiça pode, em certa medida, variar de pessoa para pessoa. Felizmente há padrões que podem dizer-se universalmente aceites. Que é injusto matar inocentes é um deles.


O “ser humano potencial”
I
Duas advertências prévias:

Quando me referir a “pessoa” não estou a usar o termo no sentido jurídico. Juridicamente, pessoa é aquilo que nos der na real gana: uma sociedade é uma pessoa jurídica; um escravo pôde não o ser; um cão pode ser assim classsificado se o quisermos considerar sujeito de direitos ( parece que algures na América pode ser herdeiro...). Aqui uso o termo “pessoa” no sentido biológico equivalente a “ser humano”; e “ser humano” como equivalendo a “pessoa”. Biologicamente, não vejo mesmo como pudesse abrir-se qualquer distinção.


Para distinguir ser (entidade) de ser ( verbo ) utilizo o tipo cheio para aquela primeira acepção.

II
Ora bem:

1. Não é possível duvidar de que um feto é um ser vivo em desenvolvimento.
2. Não é possível duvidar de que o respectivo ADN é o ADN de um ser humano e não o de um chimpanzé.
3. Não é possivel duvidar de que esse ADN é aquele que há-de caracterizar aquele ser vivo ao longo de todo o desenvolvimento até à morte.
4. Não é possivel duvidar de que esse ADN é diferente do ADN dos progenitores.
5. Não é possível duvidar que a ADNs diferentes correspondem necessariamente indivíduos diferentes.(sabe-se que até é possivel que esse desenvolvimento se processe em “ barriga de aluguer”).
6. Não pode duvidar-se de que esse desenvolviento vai resultar num “chorão” bebé e não num “chorão” árvore.

Como havemos de classificar um ser vivo em desenvolvimento portador de ADN exclusivo dos seres humanos, distinto do dos seus progenitores, e cuja evolução natural, por isso mesmo, vai resultar numa criança , num jovem, num adulto, num velho ?!

“Ser humano em potência” ?
Como não pode ser-se em potência aquilo que já se é – o que lhe falta para ser humano ?

III

Quando algo é, em potência, qualquer outra coisa, isso implica, necessariamente, que não é essa coisa.

Quando digo que uma criança é, mas apenas em potência, um adulto, estou a afirmar que ela não é adulto de maneira nenhuma, nem muito nem pouco.
E, se disser que ela é um eleitor em potência, estou também a asseverar que ela de modo algum é um eleitor, nem sequer um bocadinho.

Portanto, ao afirmar que “o feto é uma pessoa em potência” ( se é que isso faz algum sentido ) estou também a afirmar que ele de forma alguma é um ser humano.

Ora, eu não posso dizer que alguém não é adulto ou eleitor, ou que o feto não é pessoa sem, primeiro, saber ( ou, o que vale o mesmo, definir ), o que é um adulto, quando se é um eleitor, o que é uma pessoa.
Ou estarei a proferir uma asserção dogmática, a incorrer numa petição de princípio, a dar por demonstrado o que se pretende demonstrar, a utilizar o raciocínio de pernas para o ar.

Espero, pois, que me digas o que é, ou quando se passa a ser, biologicamente, uma pessoa – e porquê, é claro, ou continuaremos à avessas.

É que da forma como encaramos o feto – simples fase no crescimento de um ser humano, ou outra coisa qualquer que não sei designar – depende primacialmente o regime jurídico apropriado à matéria.

Mais um abraço.

Renato


De paradoxosfilho a 7 de Dezembro de 2006 às 15:52
Muito obrigado por trazer mais luz para o assunto.
Não precisamos de entrar pela dificuldade de o conceito de ética não corresponder exactamente ao mesmo para todos os seres humanos—os quais são supostos ter os mesmos direitos, em democracia, a fazer as leis.
Veio de encontro ao que o “post” pedia: provar que o embrião é um ser humano.
Já sabíamos que inclui no conceito de ser humano o de embrião e o de feto. Mas que fazer com quem assim não pense? Sei que não concordaria com o bispo do Porto, que aconselhou D. Afonso Henriques a matar todos os cristãos de Lisboa, quando conseguisse entrar nela (o Rei deixou essa tarefa aos cruzados e lá se foi o diálogo ecuménico em potencial).
E há quem pense doutra maneira:
1. Para esses, o embrião é um ser vivo cujo propósito parece ser o de chegar ao termo da gestação e transformar-se, no momento em que respira pela primeira vez e chora, no momento em que o aumento de pressão no ventrículo esquerdo fecha para sempre a comunicação entre ventrículos, num ser vivo autónomo, que tem que respirar, que já não é um parasita mas que tem que comunicar, berrando, para conseguir sobreviver. E a esse chamam ser humano.
Assim como há quem pense que o nosso propósito de seres humanos é o de chegar ao termo do nosso desenvolvimento espiritual e nascer numa outra dimensão. E que muitos ficamos pelo caminho. Estes, que fazem uma analogia da morte com o nascimento, necessariamente considerarão o aborto um crime.
2. Desde a ovelha Dolly que, roubando um cabelo, podem fazer um ser humano idêntico, numa barriga de aluguer. O qual não seria um chimpanzé.
3. Seria uma réplica biológica; há quem pense que o seu espírito em muito pouco dependeria dos genes; nesses me incluo.
4. Neste caso o ADN seria igual ao do cabelo progenitor, o mesmo que o de todas as células desse ser humano.
5. Infelizmente há rebanhos de gente, todos com o seu ADN diferente.
6. É curioso saber que partilhamos com as plantas a maior parte dos genes.

Eticamente chocante, clara falta de amor pela vida intra-uterina, será o aborto um crime? Lei e ética não são a mesma coisa, senão não haveria pena de morte.

Um abraço agradecido
Zé António


De anaetica a 8 de Fevereiro de 2007 às 00:48
se me permite vou dar umas dicas sobre esta discussão que muito me diz. A Ética,é a busca daqueles valores que nos configuram como seres humanos na procura do bem colectivo mais humano, e é sempre uma reflexão crítica. E o que é isso do "mais humano"? Subjacente a qq refexão ética está um conceito de pessoa. A ética varia conforme a antropologia que temos por tras. Há uma etica filosófica,materialista,economicista,de prazer,espiritual,etc. mas há tb um conceito de "mínimo ético"- que será um conjunto de valores que de uma forma alargada todos estão de acordo-e é a partir deste ponto que se pode e deve legislar porque há um consenso sobre o bem comum.Julgo que existe na nossa sociedade um "pavor" em falar-se de valores morais. mas a moral é apenas o costume das coisas que aceitamos como critérios bons para viver construtivamente em sociedade. Ex: nao roubar - è um criterio ètico(é para o bem de todos que nao nos roubemos mutuamente),é moral, e está consagrado como lei. Mas imaginem que uma mae rouba para alimentar o seu filho? em termos éticos e morais é aceite e legalmente cometeu um crme pelo o qual vai ser despenalizada(pq as circunstancias e motivos que levam à pratica dum crime contam como criterio para avaliar a sua gravidade). No entanto, parece-me mal que a lei passasse a permitir o roubo sempre que se verificassem essas circunstancias. è que a lei encerra não só uma intenção punitiva, como tb uma intenção disuasora para defesa de toda a sociedade. se tiver um pouco mais de paciencia , gostava de dizer,ainda, que hoje vivemos a ética do "coitadinho e dos "inhos". E inverte-se a ética (que tem por base o bem mais universal), quando se pega num caso em concreto,"coitadinho" e se generaliza e valida para todos.A ética não procura o mal menor(que é sempre uma decisão pela negativa), mas o maior bem possível.
parabens pelos temas do seu blog e pela possibilidade de me exprmir.um abraço.


De paradoxosfilho a 8 de Fevereiro de 2007 às 10:15
Obrigado por comentar! Infelizmente vou passar 15 dias longe do acesso à net, porque isto é um assunto que “dá pano para mangas”; mas, quando voltar continuarei a conversa! Há várias posições quanto ao direito e um jurista esclareceu-me de que tenho a posição “liberal”. De facto impressiona-me muito tudo o que seja mandar nos outros; parece-me uma falta de respeito. Vejo a lei como o mínimo possível para que a sociedade funcione. Assim, embora eu seja contra o aborto, impressiona-me que uma mulher seja forçada a ter um filho que não quer. Também me impressiona que haja leis para não serem cumpridas. É sabido que o direito tem que ter força, seão não existe e só se desprestigia. Ora, na realidade, em Portugal, uma mulher da classe média vai a Espanha abortar e não dá satisfações a ninguém. Desejávelmente todas serão da classe média e a lei não terá condições objectivas para ser cumprida—o que não é salutar para o Direito. Entretanto as tais “coitadinhas” pagam a boa consciência hipócrita dos outros. Anda, aqui no Porto, um senhor que tem uma clínica clandestina a passear um cartaz pelo Não; Coerente é a posição da Igreja Católica, que estende a proibição à pílula anticoncepcional, que é, de facto, um aborto de um embrião ainda com poucas células. Mas, se o Direito seguisse a Religião, afastar-se-ia dos costumes e a sociedade entraria em conflito com o seu próprio Direito. Mas continuarei a pensar no assunto até ao voto.


De Alberto Brandão a 8 de Dezembro de 2006 às 00:01
O que fazer com os que assim não pensem...vou pensar...
Hoje é tarde; mas, sobretudo, gosto de ser o mais claro e rigoroso possível na expressão do pensamento, até por respeito para com os interlocutores inteligentes. Salvo todas as distâncias, sou como o Eça de Queirós, que remendava e tornava a remendar os seus textos com esse objectivo, ao contrário de Camilo, que escrevia em propulsão por jacto e logo chegava ao destino. Boa noite.


De paradoxosfilho a 8 de Dezembro de 2006 às 11:27
Obrigado! Cá espero um comentário bem pensado; confesso que me dá prazer ler o que escreve e a forma também conta, "nem só de pão vive o homem" :-)
Eu escrevo de jacto e, depois, remendo: paradoxos!
Um abraço


De Alberto Brandão a 8 de Dezembro de 2006 às 19:46
O QUE FAZER COM OS QUE ASSIM NÃO PENSEM...

Metê-los na máquina do tempo e remetê-los aos Cruzados, acho excessivo...

Por isso:

Se em vez de argumentos me viessem apenas com o que lhes parece, lembrar-lhes-ia que não é prudente fiarmo-nos em aparências.

E, se a aparência resultasse das modificações a que nós chamamos nascimento, poderia começar por recordar-lhes que a evolução dos seres vivos é um processo contínuo, em modificação permanente, que em nada altera a respectiva natureza e que só convencionalmente dividimos em fases.

Talvez, a tal propósito, lhes chamasse a atenção para o bichinho da seda: sempre, em todas as circunstâncias, a mesma simpática criaturinha ! Um beijinho para ele, se me está a ouvir. E obrigado pelo apoio...

Talvez os alertasse para que o nascimento de um bebé não será o mais apropriado, mesmo que somente para aparentar o surgimento de algo portador de nova natureza . Para tanto, se me deixassem, levá-los-ia a uma sala de partos, de modo a verem, com os próprios olhos, que aquilo que se tira do corpo da grávida é o que estava lá dentro; que não há nenhum truque; que ninguém anda ali a tirar coelhos da cartola !
Incidentalmente, poderíamos passar por uma maternidade, para observarmos como o nascido continua a “parasitar” a mãe pelos seios , completamente indefeso e a suscitar talvez mais cuidados do que quando se encontrava abrigado na barriga alheia.
Se por ali notasse mosquitos, censuraria o director; e aproveitaria o facto para mostrar que parasitismo não significa identidade de natureza. E que, pelo contrário, a própria noção de parasitismo implica uma relação entre dois indivíduos perfeitamente distintos.

Por tudo isso, e artificialismo por artificialismo, incitá-los-ia a escolher de preferência, para marco divisório entre o ser e o não ser, a puberdade.
De facto, se há característica que por si só defina os seres vivos, é ela a capacidade de reprodução. Ora, não tendo ainda os impúberes essa capacidade, ficaríamos à vontade para interrompermos aqueles que por aí vivam em condições desumanas e a sofrer inadmissíveis tratos de polé.
A pedido da mãe, é claro... E só em clínicas autorizadas !

Mais um abraço virtual.



De Anónimo a 8 de Dezembro de 2006 às 22:46
Olá!

Já vi que se estão a divertir.
Posso não dizer nada de jeito mas pelo menos reconheçam-me coragem por me meter na conversa de um jurista e um médico, neste diálogo onde um informático como eu corre o risco de dizer alguma asneirada dado o pouco ou nenhum conhecimento de Direito e Medicina.

Para mim o raciocínio é mais simples do que parece. Infinitamente mais simples e evidente do que a complexa gestão emocional da decisão de abortar e das suas consequências.
Penso que todos concordam que se considera um Crime a morte provocada de um ser humano, ainda mais, se este estiver indefeso, inocente e nem sequer o tiver pedido.
Então, a questão que se coloca é seeeeeeempre a mesma: será o feto um ser humano? Para responder a isto tenho de decidir QUANDO é que um ser humano É um ser humano.
Na concepção? No fim da primeira semana? Da segunda? No nascimento? No 1º ano? Quando tiver todos os dentes definitivos? Na puberdade? E por aí fora....
Eu escolho a concepção. Parece-me evidente. Antes dela nem sequer sabemos se existe "potencial". O espermatozóide pode ter perdido a validade... o óvulo pode estar estragado...
Após a concepção tem a SUA IDENTIDADE.
A partir daí, é só deixá-lo "rolar"... Até podemos tirá-lo da barriga da progenitora e metê-lo noutra barriga que ele continua o seu caminho tal como eu continuo neste preciso momento o meu.
Que outro momento é mais definitivo e dramático? Falo obviamente de momentos definidos cientificamente, não espiritualmente.
Será o nascimento esse momento? Não me parece... o que muda é só o embrulho: antes estava dentro da barriga, depois está dentro do cobertor.
Fiquei a saber que nessa altura "o aumento de pressão no ventrículo esquerdo fecha para sempre a comunicação entre ventrículos", mas não me parece suficientemente dramático.

Um abraço do primo e do filho.

Daniel


De paradoxosfilho a 8 de Dezembro de 2006 às 23:27
Obrigado por te meteres na discussao! Respondi agora ao teu Pai e nao vi o teu comentário porque estava a escrever o meu, creio! Mas este é um assunto em que todos somos chamados a votar, e os astrólogos nao sao mais que os outros LOL. Mas nao ligam tanto ao ADN como os médicos e os juristas! Um abraço


De paradoxosfilho a 8 de Dezembro de 2006 às 23:09
Gosto de ser racional mas sei que, apesar de todos os nossos esforços, o que nos permite cessar de analisar argumentos e tomar uma decisão, neste caso a de votar Sim ou Não no citado referendo, é uma emoção, como o neurologista António Damásio provou. Sem ela a argumentação não teria fim dentro da nossa cabeça e votaríamos em branco— ou nem isso saberíamos decidir!
Porém vejo o espírito científico como a atitude de continuar a investigar, mesmo depois de uma emoção nos ter mandado parar. Assim continuarei até ao momento do voto, porque alguma emoção me fez ser democrata e levar muito a sério a responsabilidade de votar. Espero, enquanto democrata, que o nosso voto influencie, de facto, a lei que vier.

Quando diz “Se em vez de argumentos me viessem apenas com o que lhes parece” antes de dizer o que lhe parece parece-me que já decidiu e que não lhe parece— e com toda a lógica— que a nossa troca de argumentos nos possa levar a descobrir a verdade. A mim basta-me o que já sabia: não propõe uma cruzada à moda antiga contra os defensores do sim; age como democrata respeitando outros pontos de vista.

O meu ponto de vista de que o nascimento é um momento “mágico”, transcendente— sem que daí queira tirar algum argumento para “provar” a diferença de qualidade entre um feto e um bebé— tem origem, pelo que me apercebo de mim, em duas coisas bem pouco científicas:

1. Uma ocasião em que chegou à Urgência de Famalicão uma parturiente que já tinha derramado o líquido amniótico, ou seja, cujo feto já não estava no seu conforto mas a passar pelo “trabalho de parto” da mãe; a maternidade, porém, recusou a senhora quando a mandei para cima. As más-línguas disseram-me que os obstetras tinham ido à caça e dado ordem para mandar para o Porto as pacientes. Como o bebé iria nascer na ambulância achei mais lógico que nascesse na Urgência. Desobedeci. Fiquei sozinho numa sala, com a parturiente, tal era o medo que todos tinham de colaborar com a minha desobediência às ordens do director do serviço de obstetrícia. Aquele momento em que eu tinha o feto na mão, seguro pelos tornozelos, de cabeça para baixo, e ele ainda não respirava foi assustadoramente longo. Até que me lembrei de lhe dar uma palmada no rabo e ele inspirou e berrou! Tinha nascido (em vez de morrer ou em vez de não nascer?). E eu senti, com enorme clareza, que acontecera um milagre.
2. A outra não é um momento, é uma experiência de mais de 30 anos, ainda hoje confirmada com a análise do horóscopo de uma amiga: é que, por inverosímil que pareça a quem se não deu ao trabalho, teimoso, como eu dei, de verificar se é verdade ou não, a astrologia funciona! Ou seja, aquele momento, exacto ao minuto no tempo e no espaço, é o retrato psíquico da criatura que nasce. Retrato completo, ainda hoje ficou, mais uma vez, estupefacto com a precisão daquela linguagem simbólica.

Por isso me “parece” que uma réplica humana, um “gémeo” crescido por partenogénese a partir de uma célula de um adulto há de ter uma “alma”, uma “psique” diferente, embora partilhe o ADN. E estou ansioso por saber se isso se confirma. Há uma organização que se gaba de o ter feito e parece que se confirma, vamos a ver! Porque essa organização se opõe violentamente à astrologia e talvez se recuse, no futuro, a ver que o gémeo é, de facto, outra pessoa…
Transcrevo, do site: The world's first clone baby boy is actually the belated twin of his deceased brother and he was born in January 2003 shortly after Eve's birth. According to his parents, he has developed different behaviors but also likes the same toys as his brother.

Ciente de que as minhas excêntricas preocupações o não surpreendem, que me conhece bem, mando
um abraço amigo
Zé António


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