Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

...

Como somos iguais, no que não fomos

Aos jovens que vivemos, não o sendo

Não é a nossa história quem nós somos

Mas aquilo que vamos esquecendo

 

As perguntas perenes da infância

Somo-las mais que todas as respostas

Que conseguimos dar à nossa ânsia

Que, distante, lhes vai virando as costas

 

É esse não saber, o nosso ser

É esse procurar sem encontrar

E o que descobrimos só nos perde

 

Que nos faz de quem somos esquecer!

Assim os rios correm para o Mar

Assim a nossa ânsia em Si se perde

publicado por paradoxosfilho às 18:13
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Aquecimento global, relatório da ONU

Há 50 anos que se sabe que a vida deste macaco pelado que somos, queimando, para seu conforto em sentido lato, lenha, carvão e, por fim, petróleo (lenha muito, muito antiga) aumenta o CO2 na atmosfera para lá do que as plantas precisam. A luz do Sol aquece a Terra, que irradia calor, raios infravermelhos, uma frequência muito baixa para passar a camada de CO2 nas alturas, aquecendo o nosso planeta— CO2 que vai aumentando; desce um pouco no Verão, porque a terra firme, com plantas verdes, está sobretudo no hemisfério Norte mas logo sobe, no Inverno seguinte, para um valor superior ao do Inverno anterior. Hoje sabemos, pelo CO2 nas rochas, que nos últimos 650 000 anos, pelo menos, nunca esse valor foi tão alto.

         Sabemos mas não queremos saber.

         O relatório da Nações Unidas, elaborado por 2500 cientistas, que vai sair no princípio de 2007 virá mostrar a verdade ou, pudicamente, cobri-la, de novo, que não é coisa que se mostre? É fácil mentir a quem quer ser enganado— nós todos!

         A desinformação utiliza cientistas famosos por ter mostrado a verdade, rendidos, entretanto à necessidade de não criar pânico—e de comprar uma casa de ferias.

         O filme de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente” foi claríssimo, pelo menos para quem cultivar o espírito científico— mas pouca gente o viu. E, além disso, as grandes decisões politicas, como aceitar o protocolo de Quioto, são cada vez menos influenciadas pela opinião pública e, até, pelos políticos—as grandes decisões são tomadas pelo anónimo mundo financeiro, são as que dão mais lucro.

         Talvez as imagens mais chocantes desse filme fossem as fotografias de satélite de uma região da Antártida, ao longo dos anos: na primeira uma enorme superfície branca, depois com uns pontos negros, por fim, uns riscos irregulares. Os pontos negros eram pequenos lagos, vistos de perto. A água, em vez de os reflectir, como o gelo, absorve os raios solares, aquece. Brevemente a região mais exposta da Antártida era uma enorme massa de gelo esburacado como um queijo suíço pelo crescimento desses lagos; chegada a água a terra firme fez uma camada lubrificante e a gravidade fez o resto. O gelo partiu em fatias que vão deslizando para o mar e criando lindos icebergs; uma península onde o fenómeno se vai passar a seguir, uns 10% do Continente da Antártida, corresponde a tanto gelo como o que resta na Groenlândia e será suficiente, derretidos os icebergs, para subir o nível do mar 6 metros, seis, por extenso! A velocidade do fenómeno é imprevisível, mas poucos anos temos para agir.

         O ecossistema que a Terra é funciona por limiares, como os seres vivos. Imaginemo-nos no deserto, a aquecer. A homeostasia mantém o nosso corpo a 37 graus centígrados, para isso utiliza o gasto de energia que há na passagem da água de líquida a gasosa. Mas gasta água! Se um helicóptero nos levar a um serviço de Urgência onde nos arrefeçam e reponham a água, com um soro, podemos recuperar o equilíbrio que é a vida. Mas há um limiar a partir do qual o equilíbrio se rompe para sempre. As alterações, muito rápidas depois desse limiar atingido, são irreversíveis.

         A administração americana, o governo Bush, pediu à NASA para criar uma comissão científica para estudar quanto tempo temos. O chefe dessa comissão ficou escandalizado quando o relatório que iam apresentar foi “corrigido” pelo burocrata que a presidia, um advogado. Aceitou falar à BBC e mostrou o relatório com as correcções: foi censurado onde se fala no tempo máximo de dez anos que poderemos ter para parar a subida de CO2, sem fenómenos irreversíveis. Sacrificou o emprego, é um herói do século XXI, o advogado, demorou, mas foi forçado pelos jornais a demitir-se: trabalha actualmente na Exxon.

          Há casos, nos serviços de Urgência, de doentes que estão a ir para o bloco operatório e a família (ou o doente!) pede para ir a outro médico, a uma clínica, para ter uma outra opinião. Manda quem pode! O paciente perde um tempo precioso em exames etc.(há quem ganhe com isso) e o cuidado pode ser fatal. Também há médicos que, muito preocupados para não assustar o doente, lhe dizem que não é grave, claro que tem tempo a perder!

         Há quem ache que a verdade pode ser prejudicial. Vamos a ver o que sai do oficialíssimo relatório das Nações Unidas, o resultado da diplomacia sobre o que se pode dizer ao doente.           

         Porque creio que o pânico é, muitas vezes, um mal menor face ao adiamento.

http://www.theclimateproject.org/

Um glaciar que, dantes (foto pequena), tinha gelo!

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publicado por paradoxosfilho às 20:04
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Humildade

         Os adultos jovens e saudáveis podem ver na humildade uma fraqueza de crianças ou de velhos. Que é que não está ao alcance do Homem, se ele nisso se empenhar? A ciência, o conhecimento, a sabedoria, tudo é ao alcance de quem se meter ao caminho. Podem ver a humildade como coisa pregada por gente que quer poder e que algum lucro tira de essa “virtude” incutir aos fracos.

         E podem guardar a convicção de que, se um dia sentirem isso da “humildade” saberão que envelheceram mas não deixarão de pensar como antes.

         Porém esbarramos, a cada passo, com aquilo que nos transcende: o tempo, o mistério da morte. E, mesmo nos campos que não são transcendentes, assuntos estudáveis, acessíveis ao nosso esforço, o tempo de uma vida não chega; e cada vez menos chegará. A humildade é uma questão de inteligência, parece ser uma atitude natural.

         “A verdade está no paradoxo”, como dizia Fernando Pessoa.

         Pediram-nos, de facto, humildade, no tempo do Estado Novo, por exemplo. Lembro-me de me dizerem, quando falava, criança, em democracia: “esse assunto já foi estudado por quem sabe, a democracia não se pode aplicar nos países do sul da Europa, não somos ingleses”—!— e ela nasceu em Atenas, que está à mesma latitude de Lisboa! A cada passo vemos “doutorados” invocar argumentos de autoridade que, uns anos mais tarde, se mostram errados. Talvez seja o caso na polémica referida em outros posts entre o historiador (com livros bem feitos, estudados) V. Pulido Valente e o pouco humilde José Júdice, o qual sugere que a Europa atravesse o Mediterrâneo.

          A condição humana pede-nos que tenhamos a ousadia de pensar sobre assuntos em que nos sentimos humildes, ignorantes. E que tenhamos a humildade de nos interrogar sobre os assuntos em que nos sentimos seguros de conhecer.

 

         Uma notícia de hoje: a guerra do Iraque já atingiu o que os USA gastaram no Vietname, em valores actuais: 549 mil milhões de dólares.

         Lembremos que muita gente pensou, humildemente, que os USA deviam saber o que estavam a fazer, com tantos conselheiros, das melhores Universidades do mundo. Foi considerado pouco humilde pensar que se não tratava da necessidade estratégica de petróleo mas, simplesmente, da necessidade de lucro da maior indústria americana: a das armas.

         Por fim lembremos a sabedoria popular, face à qual me sinto humilde e atrevido, paradoxal: “Deus escreve direito por linhas tortas”.

         O Destino parece existir, mas somos nós que o fazemos! Humildemente.

publicado por paradoxosfilho às 14:46
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

Solstício de Inverno: 22 de Dezembro às 00:20

 

É o momento em que a Terra, no hemisfério norte, olha para o Sol mais de lado. É a noite mais longa do ano. O momento em que os dias começam a crescer de novo, o nadir de um ciclo. Celebrado desde que os homens conhecem astronomia suficiente para tal, nós celebramo-lo dois dias atrasados— o Natal— e, de novo, mais de uma semana atrasados— o réveillon. Enquanto os antigos eram rigorosos e nós temos a ciência e a técnica!

Com presentes, porque não? Gostaria de os escolher não só usando a razão, procurando que façam sentido (o Sol), mas também usando a emoção, coisas que nos façam sentir (a Lua). O paradoxo do equilíbrio neste momento extremo, em que o Sol é mais fraco e as emoções, o sentimento, imperam.

Um escrito do século passado:

 

 

 

Entardece o Outono e lembra arvores.

 

Na floresta fria que adormece os medos

Esquecidos antepassados do Norte

Acendem uma fogueira.

E a cidade ilumina-se para as compras de Natal

Que espantam mal os medos novos.

 

Nas saudades das crianças

Velhas bruxas simpáticas que contavam histórias,

Gnomos que só com elas brincavam

E os espíritos das arvores

Despedem-se, solenes e rituais.

 

Saem as crianças da floresta onde nunca chegaram

E onde nunca hão-de voltar

 

Levam-nas, em festa macabra,

Para os novos templos

Onde a multidão faz a romaria das lojas

E, sem chegar ao centro que nunca se encontra,

Sem cerimónia nem altar,

Oferecem-nas em sacrifício aos ídolos de plástico,

Ao som de luzinhas a acender e a apagar

 

Que espantam mal os medos velhos

Perdida a floresta

Que os adormecia.

 

publicado por paradoxosfilho às 14:56
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

A internet em risco

Blogs como este, grátis, desapareceriam. Só veríamos o que as companhias de telefones e de cabo nos dessem! Porque querem elas controlar esta liberdade de aceder a todos os sites? Procuram o lucro, claro! Há um grande movimento para impedir que essa lei passe, nos USA:  http://www.youtube.com/profile?user=SaveTheInternet
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publicado por paradoxosfilho às 16:17
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Sábado, 16 de Dezembro de 2006

TLEBS

Como se pode ver nesta foto de uma entrada no programa de computador do Dicionário de Terminologia Linguística, os palavrões usados são os mesmos que se usam em castelhano, em francês e em inglês. Trata-se apenas de nos ligar ao mundo, de nos ajudar a falar a mesma linguagem, quando de gramática falarmos. Os exemplos são esclarecedores, os links dão muito jeito e creio que qualquer criança pode aprender gramática se for ao site da associação de professores (  http://www.app.pt/  ) e fizer o download  do programa. Claro que tudo é aperfeiçoável com o tempo, há de vir a ser ainda mais fácil de usar.

Creio que uma das razões do incómodo que o decreto trouxe a muitas pessoas é o serem forçadas a ver como as crianças aprendem nos computadores com tanta facilidade. Houve tempo em que aprendiam latim, sem ajuda informática, porque haveriam de ser menos capazes que os avós?

Excesso de paternalismo não deve ser o que as crianças precisam. A linguística é uma ciência, pode contribuir para fazer, um dia, uma língua mundial, melhor que as existentes, mais simples e mais rica, ensinada a todas as crianças do mundo. Só se lhes pede que conheçam os rudimentos dessa ciência, como se pede para a física, há vários níveis de profundidade.

Bernardo Soares, só publicado muitos anos depois de ter morrido, best-seller mundial, dizia que a gramática existe para ser subvertida; mas conhecia a inglesa, a portuguesa e, até, a francesa, quiçá a castelhana; se as suas “subversões” fossem tomadas por erros de gramática, pelos seus leitores, teria ele tantos?

É claro que saber gramática não faz um bom escritor. Mas não a saber também não! É claro que se não deve dar carne de bife a um bebé. Mas, quando ele dela tiver vontade, ainda bem que já há super-mercados e que se não vai ter que contentar com a broa de milho e com as couves do caldo. Muito embora saibamos que, se só comer bifes, não terá saúde. Como também a não teria se só comesse caldo e broa. Mas o bom-senso não se faz por decreto.

E é preciso para usar os decretos.

 

estou: sem vontade de um bife
publicado por paradoxosfilho às 19:46
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Max Planck

Uma lição sobre mecânica quântica, na livraria Almedina, com um jovem astrofísico, Paulo Galli Macedo e aquele que foi seu mestre, antes de ele ir para Londres, Carlos Herdeiro. Tudo começou em 1900, com a constante de Planck; mostraram-nos como a mecânica quântica é um modelo que se aplica aos fenómenos consistentemente. É ciência. Mas a ciência, como disse o orador mais velho, não serve para descobrir a Verdade, como ele pensava em jovem, serve, apenas, para interferir eficazmente na tal realidade que o modelo descreve, serve a tecnologia. E está à vista que sim. Como Homem, disse ele, a sua procura foi por outros caminhos, percebeu que a ciência lhe não podia dar respostas. Citou o verso de Pessoa, “o mito é o nada que é tudo”, relacionando-o com essa descoberta assombrosa— e recente— de que há energia no vácuo, de que aparecem coisas do nada (provou-se que o Universo, em expansão— acelerada, sabemo-lo desde 1998— mantém a mesma densidade!... mas a física nada tem a ver com o senso comum, queríamos que as partículas se parecessem com bolas de bilhar e talvez se pareçam com cordas!).

E o mais jovem, nada dado a filosofias especulativas, surpreendeu-nos, depois de nos dar tanta informação científica, lendo um texto de Agostinho da Silva sobre a procura da Verdade (há um semelhante neste blog), pondo a ciência no seu lugar!

Falou-se dos mitos da ciência, do uso abusivo de conceitos como o de “quântico”— que vem de “quantidade”, daí a tal constante de Planck— ou de que a teoria da relatividade não prova que, noutro espaço ou noutro tempo, se mantenha a velocidade da luz.

Curioso foi Carlos Herdeiro a ir buscar o pensamento oriental (e aquele anterior ao positivismo) de que somos um com o universo, de que observador e objecto são o mesmo— até poderiam ter falado do conceito indiano de Maia, a realidade como ilusão— tudo isto porque “colapsa” o campo energético quando o observamos, isto é, desde Heisenberg que sabemos que o observador interfere no que observa.

Outra coisa interessante que se disse foi que, embora o conhecimento científico seja assimptótico, se aproxime da verdade sem nunca lá chegar, nada nos diz que o universo seja inteligível, racional.

Digo eu que apenas nos fascina descobrir; e mais, que esse é o nosso papel “natural”; assim terá razão o Papa no polémico discurso em que diz que “ser irracional é ir contra a natureza de Deus”.

A física teórica parece-se com uma paixão e tem efeitos práticos no mundo, bem mensuráveis! A nós, que não somos físicos, que podemos entender essa paixão mas a não vivemos, consola-nos ver que os sábios são humildes, ouvir deles que acham que todos temos o direito (e o dever) de pensar!

 

Um dos efeitos práticos, paradoxais, da mecânica quântica, com que o século XX começou e viveu, pode ter sido o de ter acabado por chegar ao senso comum a noção de que a verdade é inacessível, de que varia com o observador, de que é subjectiva, relativa— de que não interessa!

Daí a acharmos que temos o direito, subjectivo (mesmo sem sermos daltónicos!) de chamar verde a uma coisa vermelha, vai um pequeno passo.

Um passo que os cientistas não dão, eles que procuram a verdade, "assiptópticamente". Mas passo que dá alegremente o senso comum do fim do século XX e, ao fazê-lo, dá cabo das relações humanas, porque precisamos de confiar uns nos outros, precisamos de acreditar no que nos dizem!

Creio que, mesmo com o "pobre" instrumento para conhecer a Verdade que é a Ciência, podemos descobrir que o “modelo” de não valorizar as palavras, de não dar uma existência “real” aos conceitos a que elas se referem com exactidão, de aceitar que signifiquem algo de diferente para cada um de nós, é um “modelo” destinado ao fracasso da comunicação.

E a palavra, a razão, o “verbo”, será um mito, é decerto abstracto— mas é o “nada que é tudo”.

Sem ele, sem a comunicação (que exige a Verdade), não nos poderíamos apaixonar pela física, não poderíamos ter o projecto de, em 2010, lançar um satélite na esperança de fazer medidas que permitam criar a mecânica quântica da gravidade, a tal quarta força que resiste a ser integrada no modelo quântico!

 

Dia 21 de Dez, ás 21:30, o Taoísmo, com Flávia Monsaraz, a decana dos nossos astrólogos portugueses, na livraria Almedina, no Arrábida Shopping.

estou: ignorante
publicado por paradoxosfilho às 02:00
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

Borat

 

    Sacha Baron Cohen, actor inglês, criou uma personagem a que se afeiçoou tanto como Charles Chaplin ao Charlot. Humor será sempre uma forma de crítica social, que nos faz pensar. Aqui haverá menos gargalhada e mais reflexão social. O pequeno vagabundo de bigode e chapéu de coco é aqui um estrangeiro de um país do qual pouco ou nada sabemos, como tantos, porque neles não pousamos o olhar. Humor inglês no tempo da globalização, radical, “abuso” de liberdade e de ar fresco, crítica do terceiro mundo e, sobretudo, do primeiro, dos USA.

Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan, é um filme a não perder.

 

publicado por paradoxosfilho às 11:36
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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Liberdade

Em tempos de prosperidade a liberdade aumenta, a sociedade, mais bem disposta, parece relaxar a sua pressão sobre os cidadãos mais extravagantes, sobre as ideias que a incomodam ou assustam. Foi assim nos anos 20, depois da guerra, basta lembrar como era vulgar o naturismo, gente normal a almoçar nua no jardim, por exemplo, coisa que, uns anos antes, os teria levado à exclusão social. Ou os anos 60, quando conseguiu recuperar da hecatombe nazi e via com humor a mini-saia, por exemplo, com uma atitude de respeito natural que, uns anos antes, teria sido de insulto ou de agressão sexual.

A prosperidade mantém-se, por inércia, mas tudo leva a crer que está paulatinamente a desaparecer— embora os milionários enriqueçam, naturalmente! A subida europeia das taxas de juro, entre nós que temos a população toda a pagar o empréstimo da casa, vai ser visível. E com ela a intolerância.

Fico triste quando vejo brasileiros a imitar o nosso sotaque. Porque sei que não é por brincadeira ou por simpatia, é por instinto de sobrevivência; não conseguimos imaginar as mulheres a perder de novo a igualdade de direitos, elas que são mais de 70% da população universitária. Mas, quem sabe? Imaginamos facilmente os comportamentos homossexuais a deixar de se mostrar, já vemos as testemunhas de Jeová a deixar de aparecer à porta... a Liberdade é uma flor que dá na Primavera!

A astrologia era vulgar no tempo de Camões. Aparece nos seus versos, a quem a quiser procurar. Com o iluminismo, com a ciência, foi combatida e caiu no esquecimento; http://www.astro.com/astrology/in_postmodern_e.htm  ainda é “politicamente incorrecta”. As pessoas a quem acontece reconhecer o seu retrato psicológico num horóscopo ainda sentem a pressão social, a falta de respeito, nos meios mais cientificamente “iluminados”. Porém, a atitude científica seria a de ir ver se funciona ou não, o que, aliás, pediria um longo estudo.

O que é curioso, o que vem desafiar esta ligação da liberdade à prosperidade, é o que se passa na América do Sul. Pobres mas cheios de respeito pelo pensamento e comportamento minoritário. Estão no século XXI. Nós talvez para lá caminhemos, quem sabe?

publicado por paradoxosfilho às 12:42
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Sábado, 9 de Dezembro de 2006

Mare nostrum

        Continuou a polémica, no Público, referida no post de 1 de Dezembro: José Júdice imagina a União Europeia a integrar, um dia, os países que rodeiam o Mediterrâneo e V. Pulido Valente considera a ideia louca. Entretanto Jacques Delors diz, aqui no Porto, que o “motor europeu” não está a funcionar e que as pessoas não abrem o “capot”, só vêm a forma exterior do carro; diz ele que é preciso restabelecer a confiança entre os parceiros europeus.

        O motor terá avariado com as diversas posições quanto à guerra no Iraque (hoje sabemos quem tinha razão!) e com o veto holandês e francês à constituição europeia.

Entre pessoas a confiança existe quando sabemos que o outro valoriza a verdade. Nos assuntos em que ela nos não é acessível, como estes de escolher o melhor caminho comum, que o futuro é imprevisível, usamos, nas nossas sociedades, o diálogo, o respeito pelo outro, pela sua liberdade e, se precisamos mesmo de decidir, a democracia, a opinião da maioria, não a do mais forte.

        Será assim entre países? A Europa, para continuar o seu caminho de invenção de uma organização social que, pelo menos, nos tem livrado de mais uma guerra, parece precisar de algum tipo de união politica. É normal que o projecto de constituição falhasse, a importância das palavras, que mais não fosse. Mas precisa de um novo tratado, que acrescente algo aos anteriores, simplificando e viabilizando tão ambicioso projecto— que não sabemos para onde vai! E de um tratado aceite por todos. Parece que vai caber à presidência portuguesa reparar o motor. É assunto que pede imaginação e desenrascanso, talvez não esteja mal entregue… pede também uma vaga ideia de para onde vamos… e nós somos peritos em ideias vagas! Para o outro lado do mediterrâneo?

        As regras para entrar na Europa estão definidas e há, de facto, um esforço de muitos países, como Marrocos, para se aproximarem delas. A atitude da União Europeia deve ser a mesma que teve com Marcelo Caetano: não basta fingir que é democrata, tem que ser, mesmo.

 

        Mas a União Europeia só tem razão de ser se conseguir continuar, apesar da queda do muro de Berlim, da tal globalização, a criar uma enorme classe média. Recuamos. É como se subíssemos uma ladeira em que, sem o motor, descemos.

publicado por paradoxosfilho às 15:17
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006

ESTE + ÉTICA = ESTÉTICA

ESTE menino de rua

Desgraçado, brincalhão

Que só pensa em falcatrua

Quer a ÉTICA ou o pão?

 

Se escolher contra a vontade,

(Ou por vontade divina?)

Passa fome, na verdade,

Mas se lhe a alma ilumina

 

Ganha acesso ao gineceu,

Aos palácios da nobreza

E as bênçãos chovem do céu

(que é sensível à beleza!)

 

publicado por paradoxosfilho às 22:23
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

A Ibéria do Sul - O Sol e a Lua 2

Continuando o pensamento por analogia— que não é o racional, é o simbólico— assim como a Europa tem a península Ibérica, a América tem a península da América do Sul. Lá, os Pirinéus são o istmo, com o seu canal do Panamá e o país continental, solar, é o Brasil. Os outros, lunares, falam castelhano e viram-se para o Pacífico, por onde partirão, um dia, em demanda do Preste João das Índias, em naus feitas “da matéria de que os sonhos são feitos”.

         A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade não se podem criar nas bolsas de valores. Allende foi derrubado, no Chile, quando quis que os chilenos aproveitassem da riqueza do seu cobre, que depressa voltou às bolsas da “maior democracia do mundo”, que para isso lá instalou o ditador Pinochet; tinha sido eleito democraticamente, Allende, com fair-play, sem revolução armada— em vão! Chávez resistiu e é a chave da mudança: como se pode chamar ditador a quem é eleito sem batota? O povo celebra nas ruas, a maior democracia do mundo ainda há de ser a dos Estados Unidos da América do Sul!

         País riquíssimo, a América do Sul, de gente encantadora, com raízes no mundo todo, que trabalha para encher longínquas bolsas de valores, que reinam dividindo… mas até quando?

A mestiçagem, que em mais nenhum lugar é como aqui, é mais uma analogia com a Ibéria: iberos, celtas, fenícios, gregos, romanos (que para cá deportaram os insurrectos judeus, para estes confins do império), suevos, visigodos e outros godos, árabes e berberes, vikings que subiam o Tejo à procura de moiras encantadas com seus olhos azuis, pretos, indianos, índios do Brasil, até os chineses chegam, pela porta de Macau. A América do Sul excede tudo isso, é uma mulatinha com avós alemães de braço dado com um japonês raçado de italiano, é o mundo todo num abraço: os ramos podem brigar mas as raízes abraçam-se, diz um provérbio africano. Utopia em construção acelerada, que passa a fronteira do México com o novo México sem que haja muros que a detenham.

E Lula, lunar, no Brasil solar, abrasador.

As línguas ibéricas, juntas, são faladas por mais de 800 milhões de criaturas vivas.

publicado por paradoxosfilho às 18:10
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Chavéz

Enquanto, por aqui, nos entretemos a falar da morte da esquerda, Chavéz foi reeleito para sete anos como presidente da Venezuela, com 61% dos votos, em eleiçoes pacíficas, livres e controladas por observadores internacionais.

 

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publicado por paradoxosfilho às 12:38
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Hospitais

 

Hoje, ao chegar a casa, estava à porta uma ambulância, as portas escancaradas para receber um doente. Os meus vizinhos do lado? (um casal sem filhos que anda pelos 90 anos). De facto, subidas as escadas, o senhor estava no chão da sala, estuporado, enquanto o casal de maqueiros se deixava atrapalhar pela mulher dele. Lá pusemos, debaixo do doente, uma lona com pegas que serve de maca, descemo-lo pelas escadas estreitas, com os pés para a frente. e, na ambulância, mediram-lhe a glicemia e estava com muito pouco açúcar no sangue.

Fome? Pior que isso, fome iatrogénica. Tinham-lhe diagnosticado, há três dias, uma diabetes, só com uma análise. Desde aí tomava uns comprimidos para baixar o açúcar e estava rigorosamente proibido de comer doces. Se juntarmos a isso a ordem de só comer legumes porque precisava de perder uns quilos temos a medicina na génese da tragédia.

Um soro com glicose, na Urgência, e já falava, sorria um grande sorriso aberto!

A área laranja do Hospital de S. João é num pré-fabricado, no jardim, que prolonga o caos kafkiano de corredores da parte antiga. O casal de maqueiros tinha-nos dito que ele tinha ido para a área vermelha (e porque não deixaram a mulher acompanhar o marido na maca?), a área vermelha é zona proibida aos visitantes mas creio que só se fosse mesmo importante chegar lá é que os seguranças teriam sido eficientes, creio que até nas salas de operações há visitantes perdidos. Mas não estava na área vermalha.

Voltámos à entrada, onde também não estava, e ouvimos chamar o nome dele. Curioso (ou tenebroso?), trazem um doente inconsciente e sem acompanhante e, passado o burocrático tempo, chamam por ele nos altifalantes, que a sua vez chegou! Muito atrapalhados, os da entrada, ao saber que não sabiam dele.

Lá chegámos à área laranja, onde se não pode entrar mas pode, com um choradinho português.

Senhores! Impludam o Hospital de S. João e deixem os organizados espanhóis criar meia-dúzia deles, pequenos, geríveis, pensados para o que neles se vai passar… e com médicos portugueses!

 

estou: preocupado
publicado por paradoxosfilho às 11:58
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

O Sol e a Lua

 

  

Desde a queda do muro de Berlim que se fala da morte da esquerda. Façamos uma analogia: o Sol é a direita e a Lua a esquerda. E está a acabar o eclipse da Lua (a esquerda), que durou os anos 90 e o início deste século. De novo ela é visível na nossa noite, sobretudo nos dias em que mais claramente se opõe ao Sol. Materna, sem luz própria, ilumina a nossa fragilidade nocturna, solidária, humilde. É o inconsciente, as emoções, a esperança de um outro dia.

O Sol é o Pai, a força da luz que tem, a consciência, a razão, o que existe sem dúvidas e as combate, o que nada espera do seu declinar: carpe diem!

Fernando Pessoa, que não levava a sério a sociologia, “ciência” nascente, e se tomava ironicamente por “sociólogo”, escreveu sobre isto quando disse que, numa sociedade, existem forças conservadoras e outras progressistas e que o excesso de umas leva à força das outras. Não sei se conhecia o conceito chinês de que o excesso de Yang (a direita) o transforma em Yin (a esquerda) e vice versa mas sabe-se que estudou Alquimia, conheceria o conceito das “bodas alquímicas”, entre o Sol e a Lua, os símbolos para todos os opostos.

Talvez se possa dizer, dialecto-materialisticamente, que a contradição entre o “Comunismo” e o “Liberalismo” gerou a Europa social-democrata que temos, a qual, perdida a Mãe, ainda tem Pai (punhámos o Bush filho nesse lugar!) mas que, quando o perder, há de iluminar, de noite, a Lua que ora nasce; na América do Sul? Connosco, Ibéria? Talvez, mas “o futuro a Deus pertence”, não a nós. O nosso “sociólogo” (F. Pessoa) escreveu sobre a Ibéria, caracterizou os “nuestros hermanos” como organizados (solares, portanto, do cérebro esquerdo, Yang) e a nós como emotivos (lunares, portanto, do cérebro direito, Yin). Preconizou (antes de Franco) a Monarquia para Espanha e a República para Portugal. E a união ibérica, união livre de estados independentes, mas íntima, geradora de civilização, fértil. É sabido como andamos sempre em contra-ciclo, politicamente, mas nunca estivemos tão perto: o Sócrates solar que ilumina com as suas “certezas” este povo lunar e o Zapatero, lunar, que fala de emoções de solidariedade a esse povo solar, organizado, são o prenúncio de um encontro fértil, que ultrapassa as visões de Torga ou de Unamuno.

Dizia F. Pessoa que algo que nos individualiza, a nós, Ibéria, na Europa, é o facto de Carlos Magno ter parado os muçulmanos nos Pirinéus. Vivemos durante 700 anos numa civilização rica, que lia os gregos antes do Renascimento, que permitia que cristãos convivessem com judeus e islâmicos enquanto a Europa era só bárbara; e essa faceta da nossa história ter-nos-á dado a vantagem cultural que nos levou a descobrir o mundo, a “inventar a modernidade”, como ele dizia.

Talvez estejamos fadados, desde esse tempo, para resolver esse fictício “choque de civilizações” que o “pai Bush”, viúvo da U.R.S.S, inventou para se entreter e dar vazão aos seus canhões. E sem sair da Europa, José Saramago, sem uma fenda nos Pirinéus, aqui mesmo, na nossa aldeia global.

estou: chanfrado
publicado por paradoxosfilho às 12:02
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Domingo, 3 de Dezembro de 2006

Citações de Agostinho da Silva

           “Declaro que sou cristão; e outras coisas, por exemplo, budista, o que é, para tantos, ser ateísta; ou, por exemplo, pagão. O que, tudo junto, dá português, na sua forma brasileira.”

 

“Eu não quero ter poder

mas apenas liberdade

de falar aos do poder

do que entenda ser verdade”

 

           “Chamo liberdade à minha ignorância do destino; e destino ao meu ignorar de liberdade”

 

           “Só quando a mente se apercebe da limitação, da estreiteza, da finitude do pensamento [é que] pode perguntar: O que é a verdade? Não aceito a verdade dada por filósofos— [porque] é esse o jogo deles. Filosofia significa amor à verdade não amor ao pensamento, portanto, não há qualquer autoridade— Platão, Sócrates ou Buda [são apenas pensadores não têm a verdade]. E o Cristianismo não se debruçou profundamente sobre isto. Tem jogado com palavras e símbolos, parodiando o sofrimento e tudo o resto. A mente rejeita tudo isso [não aceita as explicações teológicas como lógicas].

           Então o que é a verdade?... Temos de dar tudo por tudo para fazer isto [(procurá-la)], temos de empenhar-nos de corpo e alma, não nos podemos limitar a aceitar qualquer coisa absurda. Precisamos de ter capacidade de investigar, [e] não [é] a capacidade que o tempo desenvolve, como a aprendizagem de uma técnica [por exemplo]; esta capacidade [de que precisamos] surge apenas quando estamos verdadeira e profundamente empenhados em descobrir, quando é [para nós] um caso de vida ou de morte.

 

                                      Saanen, 13 de Julho 1975 "                                                                            Agostinho da Silva

(são meus os entre-parêntesis rectos)

 

estou: bem
publicado por paradoxosfilho às 15:18
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Sábado, 2 de Dezembro de 2006

Prisão

Hoje, quando cheguei a casa, dentro da grande janela da salamandra um passarinho voava contra o vidro, as asas abertas sem sair do sítio, a teimosia infrutífera, um ar de criança que pede auxílio. Era belo, no seu esbracejar. Acalmei-o com palavras ternas que me saíram disparatadamente enquanto caminhava, apressado, para a janela da sala, que abri. Por um instante apeteceu-me vê-lo melhor. Mas nao perdi tempo a chegar à salamandra e a abrir a porta da prisão. Caíu no tapete mas logo se levantou e voou, passando uma tangente ao rebordo da janela e desaparecendo na direcção das árvores. Imaginei-o feliz.
Não parou para agradecer. O reconhecimento, um sorriso que agradece, é coisa humana, só os cães o podem saber imitar. E não precisar dele, é divino. Só nós o podemos tentar imitar!
Mas neste caso, passarinho, o que tenho pena é de não ter tido tempo nem saber para te pedir desculpa, coisa mais humana que divina, essa coisa da culpa. Mas fui eu quem mandou fazer a armadilha que é a chaminé em que caíste!
Tinhas o ar dos meninos de Africa, que caíram nas cidades que fizemos. E que não podem voltar atrás, subir de novo ao céu perdido. Têm que sair por uma porta que só nós podemos abrir ... e olham, no ecrã de vidro, a liberdade lá de fora.
publicado por paradoxosfilho às 12:42
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Vai haver referendo sobre o aborto: Cavaco assinou a lei

Muita gente acha que o direito à vida não é para discutir, o aborto é homicídio e a lei nunca o poderia permitir. Aconselho o blog FILOSÓRFICO ( http://www.filosorfico.blogspot.com/ ) onde um jurista brilhantemente nos convence.

Mas a lei fundamental sendo a Constituição, defendendo ela a liberdade de pensamento, e havendo quem pense que o embrião não é pessoa, passível de ser defendida pela lei, há que provar que é uma pessoa (sabendo nós que o é em potencial) ou, como em democracia estamos, que deixar a decisão ao voto do referendo.

Porque sempre que há duas palavras diferentes há dois conceitos diferentes: ética não é o mesmo que lei. Ambas pretendem ser para todos, claro, mas cada um de nós tem a sua moral, que se refere ao que pensa ser a ética universal, e cada país tem a sua constituição, que se refere ao que o país entende ser a universal justiça (como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, para as nossas sociedades). É certo que se está a tentar criar uma ética abrangente, universal quanto possível, de que o Dalai Lama é um dos entusiastas. E que se está a tentar fazer um direito internacional, sancionado pelas Nações Unidas.

Mas, se respeitamos a liberdade de pensar, a lei tem que ser um instrumento que se dedique a regulamentar uma sociedade em que as pessoas pensam de diversa maneira. E, de facto, há muita gente que pensa que o embrião não é gente. Não só os materialistas mas também os espiritualistas que acreditam que o espírito só vem habitar o feto por volta dos três meses. Como pode a lei puni-las sem provar que o embrião é gente? Não se trata de fanáticos, como os nazis, que pensam sinceramente que os judeus não são gente— é fácil provar que os judeus são gente. Como é fácil provar que o embrião é gente em potencial. Aqui deve residir o problema.

Em potencial.

Mas, em potencial, também um óvulo é gente. E ninguém se lembra de punir uma mulher menstruada por não ter tido relações sexuais durante aquele mês; embora já haja quem se lembre de punir um homem que usou preservativo (a Igreja Católica, pecado venial), ou um que se masturbou (o Irão de Komeni, pena de morte). Em potencial poder-se-iam punir as pessoas que fizessem contracepção, ou mesmo as que se não casassem.

Assim como usamos a democracia para escolher a forma de governo, já que há várias opiniões, usemo-la para escolher a atitude face a este problema, respeitando todos. Ganha quem tiver conseguido convencer a maioria. Não ganha a Verdade, que a não conhecemos. Mas ganham os direitos humanos, que é o que há.

Entretanto, todos estão de acordo, mesmo os mais fanáticos materialistas, que o aborto é mau, traumatizante para a mulher, evitável. Não sabemos se punível.

estou:
publicado por paradoxosfilho às 02:19
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006

Turquia

 

Eis um desafio para a Europa. Hoje, no Publico, há duas opinioes diferentes: O Vasco Pulido Valente contra e o José Júdice a favor. A Europa é uma novidade no mundo, um império sem imperador (embora Pedro Santana Lopes pareça achar que o imperador é o amigo dele, o Durao Barroso). Sao países que livremente se associam; querem a Paz no mundo, os direitos humanos, a democracia... O 1o ministro da Turquia apressou-se a dizer que o Papa era a favor da entrada de Turquia. Os "sound bytes" dos "media" também; mas o Papa apenas lhe desejou boa sorte. Durão Barroso, antes da visita do papa tinha dito o óbvio: se corresponderem aos nossos critérios--e ainda falta--muito bem! Nao devemos temer uma Turquia que respeite os nossos valores; pelo contrário. E não devemos associar-nos a países que os nao respeitem. É um desafio mas pode ser mais um passo para a Paz no mundo. Oxalá o nosso Barroso esteja à altura, que continue a dizer que sim se! Parece-me uma chantagem justa porque o nao é: têm que respeitar a casa onde entram, é normal. Se respeitarem, são bem-vindos!

estou: esperançado
publicado por paradoxosfilho às 21:05
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