Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Lucidez

De um "leitor de Bernardo Soares" recebi este paradoxo, este texto:

Não costumo beber, nem às refeições bebo. Aconteceu-me um almoço com amigos que não via há anos, boa conversa, boa comida e bom vinho; ao jantar um aniversário, no dia seguinte um almoço de família… passei agora por um momento de lucidez que ao vinho destes dias se deve: vi, com nitidez, que aquele estado de que saía era análogo ao nosso estado sóbrio: só que, ali, eu estava consciente de estar diminuído para analisar os grandes mistérios que habitualmente analiso, e, aqui, habitualmente não estou, ou não estou com tanta lucidez.

Num momento percebi que decerto andamos todos ébrios na vida, apenas inconscientes disso. Procuramos as pequenas ou grandes emoções agradáveis em vez de procurarmos entender “o sentido último das coisas”. E, quando o cremos ter entendido, como o poeta que se ria de quem o procurasse entender cria, o pequeno ou grande prazer desse crer entender nos rouba o poder entender— ébrios quando sóbrios!

Foi o sair da vaga embriaguez prolongada que me fez ver o que seria sair da vaga embriaguez prolongada que é a nossa vida sóbria e pretensamente lúcida.

publicado por paradoxosfilho às 23:32
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

"Eras sobre eras se somem/ No tempo que em eras vem"

As épocas não começam num momento, embora lhes demos um, simbólico, para significar aquelas dezenas de anos em que tudo mudou. A nossa, a que chamamos Idade Contemporânea, fizemo-la nascer com a Revolução Francesa, mas queremos falar da Revolução Industrial e poderíamos ter usado o Terramoto de Lisboa, como marco, ou a primeira máquina a vapor. Para a Astrologia é uma época de transição, a destruição da era de Peixes, os últimos dois milénios de Cristianismo, que dará a construção da era de Aquário. A destruição, que começou nos espíritos, chegou ao físico, ao nosso território desordenado, à própria saúde da Terra. Há sinais de que, nos espíritos, a construção da nova era começa.

Eis um texto do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, quase há um século:

       Quando nasceu a geração a que pertenço encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro, e ao mesmo tempo coração. O trabalho destrutivo das gerações anteriores fizera que o mundo, para o qual nascemos, não tivesse segurança que nos dar na ordem religiosa, esteio que nos dar na ordem moral, tranquilidade que nos dar na ordem politica.[…]

       Mas o criticismo frustre dos nossos pais, se nos legou a impossibilidade de ser cristão, não nos legou o contentamento com que a tivéssemos; se nos legou a descrença nas fórmulas morais estabelecidas, não nos legou a indiferença à moral e às regras de viver humanamente; se deixou incerto o problema político, não deixou indiferente o nosso espírito a como esse problema se resolvesse. Nossos pais destruíram contentemente, porque viviam numa época que tinha ainda reflexos de uma solidez do passado. Era aquilo mesmo que eles destruíam que dava força à sociedade para que pudessem destruir sem sentir o edifício rachar-se. Nós herdámos a destruição e os seus resultados.

       Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiperexcitação. (texto 175 da edição da Assírio e Alvim, pg 188)

 

Aos sinais de construção de que falo pertence este prémio Nobel da Paz a Al Gore e aos cientistas das Nações Unidas, pertence a preocupação real com o aumento da pobreza, pertencerá a procura da essência comum às religiões, como faz o Dalai Lama… quiçá pertença o redescobrir da Astrologia.

Creio que a nova era valorizará a procura da Verdade, por inencontrável que seja, a franqueza, a liberdade de expressão que isso traz, a valorização da ecologia, da saúde da Terra, que só por reflexo de avestruz tem demorado tanto.

 

publicado por paradoxosfilho às 14:10
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Houve um tempo

Houve um tempo em que a noite caía devagar.
Um tempo sábio.
Os gestos eram belos, descuidados,
E tinham a leveza do que se podia ajustar, mais tarde.

Mas eis o tempo dos ajustes, do rigor,
Do não haver mais tarde.

Este é um tempo que não há na natureza.

A simetria das balanças é sugerida nas folhas,
Qual limite para que tendem, nosso engano:
O Outono chega, sem lá chegarem nunca.

O gesto gracioso com que caem, secas,
Longe dos cálculos possíveis e inúteis,
Saboreia a brisa, imprevisível.

Quando a humidade do afecto nos faltar de todo,
A consciência do Sol nos dourar demais,
Deixemo-nos cair, que à Terra pertencemos,
Brincando com o Vento, sem fazer ajustes.

Cumprindo, esquecidos,
O Destino de dar vida.

Às ervas daninhas e aos castanheiros,
Inocentes do asfalto que nos cubra.


publicado por paradoxosfilho às 13:54
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

César

A figura do Presidente Permanente do Conselho Europeu, que assumirá as funções atribuídas actualmente às presidências rotativas, mantém-se neste Tratado, maquilhagem trabalhada da Constituição Europeia, recusada em referendos e que será, ao que parece, aplaudido pela imprensa, se for aprovado.

É impossível evitar a analogia com o fim da República Romana. César tinha alargado geograficamente os domínios de Roma e surgiu a ideia de dar um rosto ao que já era, de facto, um Império, mas ainda gerido democraticamente (pela aristocracia de Roma, claro!).

Também aqui, hoje, o alargamento da Europa serve de justificação a esse passo atrás na civilização.

O nosso lado animal pede um macaco/chefe, alguém que nos proteja, simbolicamente, na confusão hodierna. Os símbolos são eternos, a história repete-se. Quem controlará os Césares do futuro?

O que fez, até hoje, a grandeza da União Europeia, o seu prestígio no Mundo, foi o ela ser um Império sem Imperador, uma associação livre de países livres.

Esse fraco personagem que a vai representar no Mundo, continuamente contestado nas suas decisões pelos Estados membros, tentará, como os reis do século XV, centralizar o poder, com o argumento, que ora se ouve, do “que parece” a Europa aos olhos do Mundo. A ambição de poder dos Europeus fará o resto. Oxalá me engane! Redondamente. Eis que quero estar errado, sinceramente.

publicado por paradoxosfilho às 11:51
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

“Evolução” cultural. O velho senhor e o novo.

—A sua vizinha Maria é tão simpática, dá-me sempre batatas, e, este ano, não conseguiu arranjar as de semente, para plantar. Pode levar-lhe estes sacos, se faz favor?

...

—Então? A senhora Maria plantou as batatas?

—Está toda contente, precisava mesmo delas, pagou muito bem e agradeceu.

—Pagou?? … E que vai fazer com o dinheiro?

—Ora! Sempre dá para uma almoçarada com o pessoal todo, lá nos Paços... o "meu amigo" está convidado, não me esqueço de que me deu as batatas!

—Espero encontrar lá a senhora Maria para lhe agradecer... vamos comer batatas das dela?

—Claro! São as melhores! Ela dá-me sempre algumas.

publicado por paradoxosfilho às 07:08
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

...

Seja penar, seja dor,

Dizem que não ficará…

Mas, enquanto se não for,

Para mim nada mais há!

publicado por paradoxosfilho às 03:56
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