Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Marte

 

A sonda Phoenix pousou ontem em Marte e já mandou fotografias.

Parece que W.Thomas Pike, do Imperial College de Londres, espera encontrar água a 10cm de profundidade, aqui, no que se parece com um deserto do Paris-Dakar! Boa sorte para os microscópios que lá pousaram! Temos a esperança, não dita, de encontrar bactérias.

A Ciência informa a técnica, a técnica permite-lhe avançar, os cientistas devem ter o inultrapassável prazer das crianças a brincar, a descobrir o mundo. Quem me dera!

 

Nós, sem micro nem tele-scópio, temos sempre o mundo infinito do inconciente, pessoal e colectivo, para explorar. Mas, neste momento, basta-nos o que os olhos vêm.

Marte, o deus da guerra, é um arquétipo. Arranhamos-lhe o corpo simbólico no momento em que vemos onde nos trouxe a desastrosa gestão do planeta onde habitamos; "um sistema linear num planeta finito"; os recursos estão-se a esgotar e ainda não arranjámos outra forma de gerir a Terra. Nunca, em toda a História, estivemos numa situação tão globalmente aflitiva.

Lembremos as quatro fases psicológicas por que passamos ao lidar com uma situação angustiante: 1-Negação,  2- Raiva,  3-Depressão,  4-Aceitação.

Tratar-se-ia, antes de mais, de apressar a chegada de todos à aceitação do perigo iminente (meia dúzia de anos é eminentemente iminente!). Depois, resguardar a Ciência e a Arte que criámos do caos que se avizinha, arranjar refúgios, enquanto é tempo, várias Arcas!  Simultâneamente, resolver o problema da alimentação de quase 10 biliões de mamíferos da nossa espécie, problema que nunca foi abordado com TODA a nossa capacidade criativa e de organização. E, enfim, descobrir uma forma sustentável de viver, fazer coisas que se não estraguem tão depressa, deixar de ser alarves, parar a destruição do planeta. Para poder continuar a aventura da Ciência, da Arte, da Filosofia, do espírito.

Se o leitor estiver a pensar que este post não deveria ter sido escrito, ou porque é de mau gosto falar assim, ou porque o assunto não é connosco mas com os desastrosos "gestores" que temos, ou porque se não deve ser catastrofista, se deve pensar no nosso trabalho e no nosso dever, não em disparates... o leitor, provavelmente está ainda na primeira fase, a de Negação, bem acompanhado por uma confortável maioria absoluta.

As condições objectivas para a guerra, para a fome, para o caos, porém, são reais, acessíveis ao nosso entendimento, ao nosso olhar, mesmo sem esta coisa da internet, que existe, e nos impede de alegar ignorância. E a guerra, a guerra da vida é contra a entropia, essa a guerra da biosfera, da qual somos a consciência, todos.

 

http://theoildrum.com/

http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/7425078.stm

...e uma notícia de 4 de Junho, confirmando o post

 

 

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publicado por paradoxosfilho às 22:01
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Aquele menino está a fumar!

 A “opinião pública” somos nós e compete-nos, em democracia, tomar conta da sociedade, velar por que ela funcione dentro das regras que mais lhe convêm. A “sociedade” somos nós, portanto queremos que ela funcione da maneira que mais nos convém. A todos. Como somos muitos, discutimos, livremente (foi difícil ganhar a liberdade, e ela é frágil) quais as regras que melhor nos servem, a todos. Não só nos jornais, que são mais lidos, também nos blogs, na rua, em toda a parte. E, de facto, a opinião pública tem peso. É bom que tenha. É bom que as regras que facilitam a vida de todos sejam definidas por todos. Houve tempo em que o eram por um grupo mais forte (por exemplo os nobres tinham leis e tribunais próprios ainda no século XVIII e tinham direito a que o Estado lhes desse uma pensão “digna da sua condição”, quando se arruinavam—o que era vulgar).

A opinião pública é, naturalmente, democrata. Os grupos privilegiados actuais tratam de a manipular, por todos os meios. Não é fácil mas o dinheiro consegue muita coisa. Por exemplo, ontem, reencaminhei um e-mail que propunha que boicotássemos a Galpe e a BPê (escrevi mal de propósito, leitor, já verá porquê!), que só metêssemos gasolinae das outras marcas para as forçar a diminuir os preços. É que, apesar da subida (eventualmente infinita, porque a Terra é finita) do "pretrólio" as companhias têm uma grande margem de lucro e há especulação. Aconteceu que grande número dos meus amigos não recebeu o e-mail (554 554 Content rejected by policy <i> (#5.7.1)); mandei outros mails, de outros assuntos, e já receberam; ou seja, algum informático brilhante “marcou” aquela mensagem para que não circulasse por e-mail; uma espécie de vírus por encomenda— claro que é legítimo pensar quem o encomendou.

Nos aviões poder-se-ia fumar nos lugares de trás se o sistema de ar condicionado estivesse preparado para isso, o ar seria puro à frente. Mas ficaria mais caro às companhias, é mais barato circular o mesmo ar dentro do avião, sem ter que o aquecer. Preferiram gastar dinheiro a manipular a opinião pública, pelos vistos foi mais barato. Nós, a opinião pública, manipulamos os nossos governos, compete-nos isso. Mas somos manipulados pelas grandes companhias, que também manipulam os governos directamente, sem nos usar como intermediários.

Hoje, no Público, jornal que leio todos os dias, o que é notícia é que seja notícia que o Eng. Sócrates tenha fumado no avião! O que nós queremos é que seja possível respirar ar puro, em alguns dos lugares dos aviões e fumar, noutros lugares. Não é um artigo pela liberdade.

Lembro-me do sítio onde meditei sobre a frase que me tinham dito, pelos meus cinco anos, tão importante me pareceu, tão a sério a levei: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.

O engenheiro que nos governa (decerto com boas intenções, de que se diz que está o inferno cheio) tem-nos incomodado com polícias a intimidar manifestantes, com a ASAE a atrapalhar os queijos, os rissóis, as bolas de Berlim, com várias parvoíces. Mas fume, Sr. Engenheiro! Não lhe queremos fazer o que não queremos que nos faça a nós. Queremos que perceba que é manipulado, que perceba que o TGV não é um desígnio nacional mas o de algumas companhias, queremos que se deixe manipular pela opinião pública mas não o queremos incomodar! Decerto pediu licença para fumar aos seus companheiros de viagem ou viajava num avião equipado para isso, não se deixe manipular por um jornal que quer vender papel e se esquece da sua responsabilidade de pensar!

P.S. Quando, depois de escrever isto, juntei a referência ao erro de entrega de e-mail, o meu anti-vírus anunciou uma tentativa (conseguida?) de entrada no meu computador. Pouco depois o internet explorer apagava-se. O sapo tinha uma cópia de segurança, que me propôs quando lá voltei e cá estamos. O que me pergunto é: por quanto tempo teremos esta maravilhosa liberdade de escrever? A liberdade é frágil.

publicado por paradoxosfilho às 09:28
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

...

São refúgio, os sonetos, do sagrado.

Eles guardam, formais, uma verdade,

Uma idéia fugaz e que, mau grado

Os ataques ferozes da maldade

 

Dos que, vendo-a, precisam de a não ver

E impedem os outros de sonhar,

No soneto resiste e pode ser

Quão revolto e ventoso seja o mar:

 

"Todos valem o mesmo, porque sim!

E só eles se educam, por amor.

O poder é doença e tem remédio:

 

--Não ceder ao que pede, até ao fim.

E deixar Liberdade abrir em flor 

Bela e frágil, criada contra o tédio."

publicado por paradoxosfilho às 15:17
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Domingo, 11 de Maio de 2008

Que voulez vous? --Tout!

Uma conferência sobre Maio de 68, na livraria Ler Devagar, meia dúzia de pessoas. Visões subjectivas e factuais, honestas. Os anos de ouro do capitalismo do pós-guerra, a abundância, e costumes obsoletos, como a separação dos sexos em espaços da Universidade, os mitos desactualisados da "sociedade do espectáculo".

Uma brochura em Strasbourg, da I.S., ao mostrar aos estudantes a miséria da sua vida quotidiana, ao criticar a nascente sociedade de consumo, pegou fogo a isso. Depois de ardida a parte seca da velha ordem, de uns aumentos de salários e regalias nas fábricas, de De Gaule ter fugido e voltado " participativo", em não havendo mais lenha, o fogo se apagou.

Ficou a saudade de estar vivo, dos encontros.

E histórias como a de uma multidâo de estudantes, dos muitos grupos revolucionários, que vai ao encontro de outra, de operários que se manifestavam, e, quando chega à distância da voz, um estudante diz, para a fotografia da História:

"Nous sommes ici pour vous servir"

 E um operário responde:

"Va me chercher une bière!"

...

mas as relações mercantis entre as pessoas apenas se disfarçaram mais, a sociedade de consumo seguiu o seu caminho suicida que leva ao fim do planeta finito e os novos papéis da sociedade do espectáculo são iguais aos velhos em ser papéis. Já nem nos cús de Judas há pessoas expontâneas, vivas!

publicado por paradoxosfilho às 01:44
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Domingo, 4 de Maio de 2008

Melhor que dar um peixe é ensinar a pescar

Há quem diga que é um provérbio, chinês, não sei. Sempre pensei que devemos partilhar o que pensamos que sabemos. Claro que, quem nos ouve, toma (e bem) as nossas certezas por opiniões, os nossos argumentos por justificações, o nosso esforço de ensinar por uma pretensão (se o não tomar por uma falta de respeito)...

Mas só há pouco tempo somei a minha experiência toda de partilhar o que penso saber e concluí que se não ensina nada, aprende-se. Desde as coisas mais óbvias (fumar mata—liga ao que eu te digo, não ligues ao que eu faço) às menos intuitivas das leis da física (e da metafísica), nada se ensina. Nada do que sabemos e queremos partilhar. Quem pede um peixe não está a pedir que o ensine a pescar. Só se pedir esse ensino o pode, eventualmente, aprender, por si.

Daí que só a nós mesmos podemos ensinar, se quisermos aprender.

E descobri outra coisa: que quando queremos ensinar, queremos ensinar algo que precisamos de aprender.

Perguntemos. Faremos felizes quem nos ensina, é simpático. Mas não nos iludamos, só quando a vida nos dá uma experiência e a soubermos entender, a aprendemos. Mesmo que já no-la tenham ensinado.

Esta experiência demorei muito a entendê-la. Partilho-a aqui porque a quero aprender, nada se ensina, tudo se aprende!

Não sei se o acordo ortográfico previsto é melhor ou pior que o que (não) existe, para a Civilização Portuguesa, que (para mim) existe. Gosto que a grafia nos fale da memória etimológica, que não seja só fonética. E gosto da pronúncia dos brasileiros, das palavras antigas que ainda usam, das novas que criaram... sei que não sei! Não assinei, portanto, o manifesto que deixo a quem sabe que sabe. Saberá?

estou: português, portanto, brasileir
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publicado por paradoxosfilho às 17:32
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