Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Investir com raiva

Diz-se do touro, que investe com raiva quando vê vermelho. Mas falo de investir à maneira capitalista, de investir essa energia, que nasce das frustrações, em algo que renda algo. Que renda em uma outra energia, não destrutiva, algo que nos evite as frustrações que a fizeram nascer! Afinal o capital também nasce de uma violência, de um roubo, e, depois, é um gosto vê-lo dar frutos, se bem semeado e cuidado— investido!

Uma cosmogonia é uma ambição milionária, mas diz-se que todas as grandes viagens começam com um pequeno passo. E creio que compete, a cada um de nós, fazer a grande viagem de dar sentido à sua vida, cada um tem por destino criar uma cosmogonia, nascemos para milionários, quer lá cheguemos quer não.

Na verdade cada um de nós tem aqui, no Internet, as bases para começar. Falo da Astrologia, ela mesma uma cosmologia, que podemos consultar em astro.com, por exemplo. Assim, este que escreve, com o Sol na sétima casa, que é a casa da relação com o outro, vê nisso, na comunicação (porque isto se passa em Gémeos, o signo da comunicação) o assunto central porque viemos ao mundo. Todas as cosmogonias são assim, subjectivas, querendo-se de alcance universal! Por isso se diz que é quem escreve que vê a relação com cada uma das outras pessoas, que por aqui andamos, como o centro, o Sol à volta do qual tudo gira.

E que nos propõem para bem nos relacionarmos, desde Jesus Cristo aos filmes americanos? O Amor.

Como proponho algo diferente, começo por falar das insuficiências dessa panaceia universal, das razões porque falha. Amor é aceitação incondicional, assim como um poço sem fundo para onde se lançam todos os mal-entendidos, tudo o que caia mal, que pareça agressão, que pareça mentira, que pareça egoísmo, por aí fora. Como o poço não tem fundo, todo o entulho desaparece da vista e o entendimento é perfeito. É? Mas, com tanto ignorar, deitar para trás das costas, que fica de comunicação? De conhecimento do outro? E se, quando se quer esclarecer aparece mais entulho, ou o mesmo, rapidamente descartado para o poço sem fundo, que comunicação há?

— Continua a aceitação incondicional do mistério, dir-me-ão, e é no mistério que reside o encanto do Amor. Está bem, para uma cosmogonia feita à volta de Vénus, o símbolo do amor (ou melhor, de Nepturno, a sua oitava superior, ver comentário) , aí trata-se apenas de manter limpo o poço sem fundo, para que não haja obstruções ao eliminar seguro do desagrado.  

       Mas se a cosmogonia for feita à volta do conhecimento do outro, da sua alma, que se exprime em pensamentos, em palavras, em actos e em outras dicas para a intuição entender, então ela fica sem nada. Ficamos com a projecção que fizemos no outro dos nossos ideais, a aceitação incondicional fica reduzida à aceitação incondicional de o que há em nós de ideal, não do outro. E nada de comunicação (faço aqui um parêntesis para dizer que, por mais largo que seja o poço sem fundo, há sempre entulho que o possa obstruir, e, quando aparece à superfície, acaba o amor)

 

       O que proponho é a clareza, não precisamos de um poço sem fundo para deitar o lixo, precisamos de uma tal limpeza na comunicação que não haja detritos. Precisamos de definir cada palavra, de curar cada mal-entendido, com uma paciência infinita, até que não haja mal-entendido nenhum, haja um desacordo claro, esse sim, passível de aceitação incondicional. O outro é diferente, sabemo-lo, só queremos conhecer como, onde, porquê. E procurar em conjunto uma hipotética verdade mais abrangente, que englobe a contradição entre ambos.

       Não é preciso, para não aceitar este ponto de vista, ser do parecer que a verdade não interessa, que o que interessa é o bom entendimento entre as pessoas (ele há quem assim pense!); basta ter o, bem vulgar, preconceito contra a mesquinhez. Se o esclarecimento for cortado com esse preconceito, se faltar a tal paciência infinita para analisar o significado preciso de uma interjeição, por exemplo, em não havendo poço sem fundo onde a deitar, tudo falha. Ou seja, a verdade e a ausência de preconceitos, são, nesta minha proposta, bases fundamentais para o relacionamento. E o que de mais interessante e enriquecedor temos neste mundo para viver são os outros. Mas, claro, é um ponto de vista. Um olhar. O fruto de um investimento.

Bull tie

publicado por paradoxosfilho às 22:49
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6 comentários:
De 20visitar a 12 de Novembro de 2007 às 23:36
Porque é que ao falar de amor e a aceitação do outro tal e qual é falas em Vénus? A total aceitação não está em Vénus está em Neptuno meu querido. Vai descobrir em que signo está o teu Neptuno e aí é que tu amas sem pedir nada em troca.


De paradoxosfilho a 13 de Novembro de 2007 às 00:41
Muito obrigado pelo esclarecimento. Aqui fica para os leitores e a afirmação de que vem de alguém que me ensina astrologia. Um beijo agradecido


De Catarina Noronha e Távora a 13 de Novembro de 2007 às 09:18
Realmente comunicar hoje em dia correctamente é uma arte na minha opinião..
Quer em relações profissionais e até mesmo amorosas..

O poço sem fundo que falas é muitas vezes gigantesco...

Mas de certa forma se usarmos sabedoria ...chegaremos a um entendimento perfeito...


Gostei do que li...Irei aplicar ...Sento eu gémeos...lol comunicadora nata

Beijinhos CNT


De paradoxosfilho a 14 de Novembro de 2007 às 08:23
Obrigado por leres, Catarina! O conhecimento do outro pode levar ao amor, creio que era Paracelso quem o dizia... já que o amor leve ao conhecimento, não me parece. O que escrevi é, paradoxalmente, uma proposta para que haja amor! O qual, como tudo, não se cria por decreto, rega-se todos os dias. Um beijinho


De anaetica a 22 de Novembro de 2007 às 18:21
quem proclama aquilo que é incapaz de praticar é cego e hipócrita, cuidado!


De paradoxosfilho a 22 de Novembro de 2007 às 19:11
Gosto de “propor”, evito “proclamar”. Procuro caminhos para a comunicação, proponho os que me parecem melhores. Proponho que as pessoas se respeitem umas às outras, que conversem, que evitem os preconceitos, coisas assim!


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