Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Prémios bem dados, com razão, inteligência

Sou português, republicano e tenho que tirar o chapéu à Fundação espanhola que tão bem sabe escolher os seus premiados.
Reunido en Oviedo el Jurado del Premio Príncipe de Asturias de las Artes 2007 [...] , ha acordado otorgar el Premio Príncipe de Asturias de las Artes 2007 a Robert Allen Zimmerman, Bob Dylan, mito viviente en la historia de la música popular y faro de una generación que tuvo el sueño de cambiar el mundo. Austero en las formas y profundo en los mensajes, Dylan conjuga la canción y la poesía en una obra que crea escuela y determina la educación sentimental de muchos millones de personas.
Houve um tempo em que saíram da Califórnia para os sítios mais bonitos do mundo (hoje convenientemente estragados) umas criaturas felizes, com ar de mendigo florido, em perpétuo e tranquilo amor livre. Convivi com essa gente nas fraldas da Serra Nevada e a música de Bob Dylan tocava, ininterruptamente, num pobre leitor de cassetes. Pareciam precisar daquele som para viver, não falavam do absurdo da guerra no Vietnam, nem falavam da Paz, porque a viviam! Liam. Conheciam as culturas que visitavam; nunca mais a América teve embaixadores desses!
Al Gore, dessa geração, atribui, no seu último livro, que acaba de sair ("The Assault on Reason", The Penguin Press, New York, 2007) a Gutenberg, à imprensa, o iluminismo, a razão, a democracia americana. Ler é diferente de ver. Ao ler somos forçados a criar idéias abstractas, ao ver televisão ficamos pelas emoções. E daí a percentagem de americanos que ainda acredita que Saddam foi responsável pela queda das torres gémeas e que tinha armas atómicas, porque não leu os desmentidos, os factos, só viu o presidente, muito sério, na TV.
[...] decide conceder el Premio Príncipe de Asturias de Cooperación Internacional 2007 a Al Gore, presidente de la Alianza para la Protección del Clima (Alliance for Climate Protection), por su decisiva contribución al progreso en la solución de los graves problemas del cambio climático que amenazan nuestro planeta y que hacen estrictamente necesaria la cooperación internacional para su solución. El Jurado quiere, sobre todo, resaltar con este premio los grandes méritos de Al Gore, un hombre público que, con su liderazgo, ha contribuido a sensibilizar a sociedades y gobiernos de todo el mundo en defensa de esta noble y trascendental causa.
publicado por paradoxosfilho às 01:07
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

Sincronicidade

"O nascer da Terra", foto da Apolo 8

      

                        Foi Jung quem cunhou esta palavra, título de um livro seu, para falar das “coincidências” improváveis que parecem ter um significado, que parecem falar connosco, quais mensagens do inconsciente colectivo.

                        Houve, há 200 anos, um artigo científico na Nature prevendo o efeito de estufa produzido pelo excesso de CO2 na atmosfera; desde há mais de 50 anos que se mede a subida anual desse gás e acaba de sair o relatório encomendado pela ONU que confirma a crise climática em que estamos e a responsabilidade humana nela, sobretudo pela queima de petróleo em quantidades crescentes. Temos uns 10 anos, no máximo, para parar esse crescimento que tem dois séculos e não pode continuar sem matar o planeta. Perdoe-se a bruta verdade científica.

                        Sincronicamente, descobre-se que a Terra não tem mais petróleo para dar. Dentro de uns 5 anos, no máximo, o aumento de produção de petróleo será impossível e deixará de corresponder ao aumento crescente da procura. Foi isto que ficou claro no primeiro seminário organizado pela Associação de Investidores(ATM), que convidou cientistas para o demonstrar com os dados disponíveis.

                        No “momento” (para a idade da Terra é-o!) em que descobrimos “a verdade inconveniente”, como Al Gore lhe chamou, de que temos que parar o aumento de produção de CO2 que vimos fazendo, no “momento” em que, tendo-nos entrado a verdade pelos olhos dentro, procuramos soluções, eis que a Mãe Terra, Gaia, sincronicamente, nos resolve o problema: vamos parar esse aumento anual de CO2 porque não teremos petróleo para o fazer!

              

                        A Factura da Energia é o título do novo seminário em que, além de se reverem os dados científicos se debaterá o assunto, a influência quase impensável que terá na economia mundial, na nossa vida. Decorre na Assembleia da República (que, por coincidência, tem uma comissão sobre o assunto) porque tem o apoio da AEDAR, a associação de ex-deputados. Os oradores prometem… as inscrições também!

 

publicado por paradoxosfilho às 01:33
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Terça-feira, 6 de Março de 2007

O poder não é útil

Deserto que já foi verde 

Somos um animal ambicioso, realizámos artefactos e sociedades organizadas que nos surpreendem a nós mesmos. Mas somos animais, uns primatas cuja situação “natural” é ter um chefe que para isso lutou e disso tira os privilégios. Os nossos primos menos brilhantes também têm o instinto da solidariedade, não se ficam pelo da luta pelo poder. Acontece que foi esse instinto de solidariedade que nos permitiu organizar sociedades capazes de permitirem as nossas proezas como espécie. O pacifismo radical de Buda ou de Jesus foi uma descoberta cultural sem a qual não teríamos chegado a este grau de complexidade. Tão grande ela chegou a ser que nos esquecemos da nossa natureza animal; quando a redescobrimos, com a modernidade, com a ciência, houve uma reacção anti-religiosa cujo caminho continua ainda hoje (embora o crescente movimento New Age já seja o sinal de uma reacção contrária). Darwin, o naturismo, o fascismo dos anos 30 são a modernidade a dar importância ao facto de sermos animais. Os fascistas criaram o culto do poder, do chefe e até da violência (hoje sabemos como os animais são poupados com a dita em relação aos da sua espécie).

O liberalismo é uma forma de manter a luta animal, que os nossos modernos continuam a considerar inevitável, dentro das regras da competição. A maior parte das pessoas continua convencida que “a vida é uma luta”. Não digo que não seja, digo que não pode ser; ou seja, para sobrevivermos enquanto espécie o fomento desses instintos não é acertado. E, para os que acreditam no instinto de sobrevivência das espécies, a luta colectiva da nossa pela sua sobrevivência sobrepor-se-á à luta individual. É o tempo da solidariedade, especialmente desde que a crise climática nos deu, espécie, um problema comum.

Partilho com os anarquistas a noção de que o poder sobre os outros é prejudicial às sociedades. Temos o poder de ver, entender, agir, melhorar a vida. Mas, quando temos poder sobre pessoas, as amedrontamos, as forçamos a servir-nos, lhes dificultamos a dignidade— coisas que se passam muito mais que o que gostamos de ver— estamos a prejudicar a espécie. E ela tem diante de si o maior problema de sobrevivência que teve desde que nasceu. Hoje não há canto do planeta a que não chame a sua casa— mas o planeta pode deixar de ser habitável!

A este propósito aconselho o artigo na última página do Público de hoje, uma resposta com humor a quem comparou os ecologistas, ao divinisarem a Terra, aos padres que atribuíram o terramoto de Lisboa à cólera divina. Chamei Gaia à Terra, o nome de uma deusa grega, mas o conceito é apenas para dizer que ela é um ser vivo, sujeito a morrer.

O padre Theillard de Chardin, um jesuíta que era cientista e filósofo, lançou, nos anos 50, o conceito de Noosfera, em que nós seríamos o sistema nervoso do planeta, a sua consciencia (antes do Internet e da globalização!). É legítimo ser poeta, visionário ou filósofo, isso não atrapalha a ciência. Se somos a consciencia da Terra pararemos o aumento de CO2 na atmosfera. O nosso sofrimento actual é semelhante ao de um fumador que lhe custa diminuir o consumo em que se viciou. Mas que sabe que o tem que fazer!

publicado por paradoxosfilho às 12:28
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
|
Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Comunidade Global que somos, face ao mesmo problema

http://www.ipcc.ch/press/prwg2feb07.htm Posso estar enganado mas acredito que está na nossa natureza procurar a verdade. Imagino um antepassado mesmo antigo a usar um pau mais comprido que aquele que o grupo costumava usar para deitar abaixo os frutos da árvore; imagino os outros “macacos” a rirem-se da falta de pontaria dele, a não acertar nos frutos por usar um pau muito comprido; mas estava na natureza dele experimentar. E imagino-o a pôr-se em cima de uma espécie de banco e a conseguir. Essa atitude é-nos natural. Como nos é natural ficar inibido com o riso dos outros e desistir: precisamos de nos sentir integrados no grupo e a rejeição emocional é penosa. Por outro lado há de ter sido um prazer ver como todos passaram a usar o “banco”, dali para a frente. A atitude de tentar compreender as coisas tem sido seleccionada ao longo de milénios. É-nos natural.

         A ideia de que podemos ser livres, de que não precisamos de servir a um senhor para sobreviver ainda hoje não é intuitiva, é "muito avançada". Não chegou ao senso comum completamente, por mais que se diga o contrário.

         Portugal (nome que nasce do “Porto”, cidade burguesa), que tinha reis pobres, um feudalismo ainda mal estruturado e restos da cultura urbana romana e muçulmana, mediterrânica, teve condições favoráveis para essa ideia, desde o princípio. Apareceram muitas “vilas francas” entre nós, como apareceram cidades na Flandres e na Itália— a bela Florença, por exemplo! — onde a ideia de ser livre floresceu. Mas, e perdoe-se que não fui verificar a História, Portugal deve ter sido o primeiro país inteiro em que a burguesia toma o poder. Calhou assim! Como a nobreza, naturalmente leal, seguindo a legalidade e os costumes, prestou vassalagem ao rei de Castela, houve uma oportunidade para criar novas regras. João das Regras, ainda hoje odiado pelos que se recusam a usar um banquinho para apanhar a fruta— preferem ter criados que a apanhem! — lá conseguiu fazer aceitar a nova ordem pelos outros países da Europa, e pelo papa, que era comprável, perdoe-se o facto histórico. Nun’Álvres Pereira, um filho muito mais que segundo de um muito pequeno fidalgo teve a sorte de que, nessa altura, o duque de Lancaster reivindicava direitos na Galiza. Arranjou um aliado importante, o povo alinhou e venceu Castela. O mestre de Avis foi aclamado rei pela burguesia de Lisboa e pelo país todo. O primeiro rei burguês, que se casou com a filha do duque de Lancaster e começou uma nova história.

         Henrique, um dos filhos (rico graças à fortuna dos templários que o seu trisavô, D. Diniz, soubera acautelar criando a Ordem de Cristo, da qual Henrique era o Mestre) quis ver se a Terra era mesmo redonda, como alguns antigos em Alexandria já sabiam mas que não era ainda do senso comum, nem sequer do bom senso. Experimentou, foi ver; e trouxeram-lhe novas de que o céu era diferente, lá para o Sul, apareciam novas constelações!

         Toda a atitude de Portugal era científica, experimental, ver para crer, procurar a verdade, desconfiar do que Aristóteles dizia. E, como teve sucesso, levou a Europa toda atrás, nessa atitude. Daí Fernando Pessoa dizer que Portugal inventou a modernidade, fenómeno europeu, mas de que éramos a cabeça, a ponta de lança.

         Castela alinhou na aventura, depois a Europa, hoje o mundo todo. O “banquinho” que é a ciência passou a ser usado por todos, já ninguém se ri dele.

         Ontem, 2.500 cientistas vieram dizer, muito oficialmente, com a chancela da ONU, que, “inequivocamente” a aventura levou ao aquecimento do planeta e que, se não pararmos de aumentar a produção de CO2, cujo teor nunca tinha sido tão alto na atmosfera desde há 650.000 anos, damos cabo do planeta. Custou-me ouvir um dos ministros do Canadá, um dos países mais civilizados do Mundo, dizer que ficara surpreendido com a dimensão do problema. É falso, já sabia, todos sabem! O CO2 subiu 20%, na atmosfera, nos últimos 10 anos, é um facto. Já não se podem rir da ciência mas ainda podem fazer de conta, adiar. “Quem está bem deixa-se estar”.

         Mas está no ar um novo Renascimento, uma nova Idade, o povo vai ter que mudar as regras, como no tempo em que os “minori” tomaram o poder no Palazo de la Signoria, em Florença, ou o mestre de Avis deitou pela janela o Conde Andeiro.

         Enquanto português sinto-me responsável. Nós criámos este mundo. Não me interessa que os outros “macacos” se riam. A nossa alma adormecida tem aqui um desafio à sua altura. Empenhemo-nos, radicalmente, em não aumentar a nossa produção de CO2 (embora estejamos abaixo da média europeia, embora tivéssemos saído de cena antes da industrialização, nem sabemos bem o que isso é — mas não nos desresponsabilizemos!). Somos ainda a cabeça ou a face da Europa, ainda a podemos levar, de novo, e ao Mundo, por novos caminhos, novos paradigmas a inventar (ouço o riso dos "macacos").

         "Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia / Cadáver adiado que procria?". Que se riam os “macacos”! « Rira mieux qui rira le dernier ».

Que cenário destes vamos escolher, comunidade global que enfim somos, face à mesma ameaça?

 

 

 

publicado por paradoxosfilho às 14:20
link do post | comentar | ver comentários (13) | favorito
|

.Contador

Free Hit Counter
Free Hit Counter
Relógio do Mundo As horas nas principais cidades

.arquivos

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

.Janeiro 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.links

.favorito

. Arte

. Afirmações de um pedreiro...

. Paradoxos filho

. Bem aventurados os pobres...

. Dignidade e respeito

. 50 anos

. O poder não é útil

. O Sol e a Lua 3

. Aquecimento global, relat...

. Escrever

.posts recentes

. Prémios bem dados, com ra...

. Sincronicidade

. O poder não é útil

. Comunidade Global que som...

.tags

. 25 de abril

. aborto

. américa do sul

. amor

. analogias

. aquecimento global

. aristóteles

. astrologia

. beatles

. bento xvi

. bob dylan

. bolhão

. bom senso

. brasil

. bush

. caos kafkiano

. castelhano

. charlot

. chavez

. cidades

. ciência

. co2

. Constituição

. criatividade

. crise climática

. crop circles

. democracia

. desenvolvimento

. dignidade

. direita

. direitos humanos

. dr. mendes

. durão barroso

. ecologia

. educação

. emoção

. energia

. erro

. espírito

. esquerda

. estética

. ética

. europa

. f. pessoa

. f.pessoa

. família

. fome

. fumar

. g8

. gaia

. gelo

. globalização

. hipocrisia

. hospital

. humildade

. humor

. iatrogénica

. Ibéria

. império

. imprensa

. inconciente

. inconsciente

. infância

. iraque

. Islão

. jihad

. josé socrates

. jovens

. justiça

. karl marx

. lei

. liberdade

. livro-do-desassossego

. lua

. marilyn

. marx

. meninos

. modernidade

. montados

. natal

. naus

. obama

. onu

. opinião pública

. pão

. papa

. paradoxos

. paz

. petróleo

. platão

. plutão

. poder

. razão

. realidade

. respeito

. salazar

. sócrates

. turquia

. utopia

. verdade

. todas as tags

Solar X-rays:

Geomagnetic Field:
>
Status
Status
 
From n3kl.org
OnlineConversion.com É um conversor para todas as medidas