Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

A Presidência da União Europeia

Cabe a Portugal, um pequeno país que já teve um império, a responsabilidade de levar a bom termo o novo tratado da União Europeia. Na verdade cabe aos governos dos 27 países que compõem esse império sem imperador, mais que isso, cabe aos povos europeus, porque os assuntos que com a soberania mexem não são para um circunstancial governo decidir. Até aqui decisões dessas têm sido tomadas por unanimidade, é por isso que os países vizinhos da União europeia, em vez de temerem ser anexados pelo império, pedem para dele fazer parte. É um império sem imperador, onde só entram países democratas, onde não há senhores e súbditos. Onde um pais pequeno tem a mesma dignidade que um pais grande e pode impedir uma decisão que contrarie a sua independência.

 

Ser obrigado a obedecer contra a sua vontade é ser violentado e as violências ficam na memória das pessoas como na dos povos. Quando o Papa anterior visitou a Grécia foi recebido com uma enorme manifestação hostil. Era gente que se “lembrava”, oitocentos anos depois, da cruzada que o bispo de Roma ordenara e que, comandada pelo doge de Veneza, que fornecera os barcos, saqueou Constantinopla, a capital da cultura grega, matando e violando cristãos com uma violência inesquecível. A guerra na ex-jugoslávia tem a ver com memórias antigas. Israel voltou à sua terra dois mil anos depois; os árabes, que já não são império, juntaram-se para defender os palestinianos. Ignorar o ressentimento histórico não é possível a quem quer construir a Paz. E as humilhações sofridas por um povo não são esquecidas.

 

O sucesso simbólico da Europa enquanto união politica tem a ver com a unanimidade com que são tomadas as decisões importantes, com o não haver um exército europeu e com as presidências rotativas. Poderá ser muito mais prático acabar com esses aspectos simbólicos, "inúteis", ser uma "superpotência" como as outras, obedecer ao senso comum em vez de criar história, mas é ferir a alma da União, o que a distingue de tantos impérios que já houve e acabaram, o que a pode fazer ser exemplo para a União Mundial, desígnio que os povos do mundo terão que ter, mais tarde ou mais cedo, se quiserem ter Paz.

E se não quiserem ter Paz não saberão resistir a este século em que todos não serão demais para ajudar o planeta a sobreviver.

 

Durão Barroso e José Sócrates são portugueses e é a Portugal que cabe a maior parte da responsabilidade de fazer um tratado em que todos os povos europeus se sintam respeitados, independentes, livres de entrar ou sair de uma equipa a que gostem de pertencer, a Europa. Para que um jogador se sinta parte da equipe tem que haver a hipótese de que haja um momento em que tenha na mão o resultado do jogo— ou no pé!, ao decidir entre passar a bola para a esquerda ou para a direita.

Pode um pais esperar vinte anos pelos seus seis meses de Presidência rotativa, sente-se parte da equipe, simbolicamente. Um Presidente da União seria uma figura de imperador, embora efémero, seria, simbolicamente, o final, a desistência de uma utopia que já durou sessenta anos. Se a teimosia que Durão e Sócrates parecem ter for a diplomacia portuguesa nesta tarefa creio que haverá manifestações por toda a Europa exigindo referendos. Oxalá aliem a inteligência simbólica, a consciência de que a Europa é uma bandeira de Paz, sem exército permanente, à persistência para fazer um bom tratado, porque o tempo da eficácia como valor supremo já passou, outros valores mais altos se “alevantam”.

publicado por paradoxosfilho às 17:38
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Segunda-feira, 26 de Março de 2007

50 anos

EuropaSe procurarmos o que nos une, europeus, para que Norte aponta a bússola da nossa civilização, o que procuramos criar com a Democracia, o Desenvolvimento e a Descolonização, que eram os três DD do 25 de Abril, o dia do nosso regresso a casa, cabeça perdida da Europa que éramos, encontraremos um valor, para nós, europeus, fundamental e que não sabemos imaginar que o não seja no Mundo: a Dignidade humana.

É um conceito que implica o respeito pela liberdade, pela democracia, que implica que se acabe com a fome, a miséria, a iliteracia, a falta de abrigo, que implica que as minorias sejam respeitadas e se possam exprimir—é um vasto conceito. A nossa civilização admira quem, em circunstâncias adversas, mantém a sua dignidade, mesmo sacrificando a vida; mas caminha para uma sociedade em que essas circunstâncias não existam, em que as agressões à dignidade humana sejam impensáveis.

Convém lembrar que apenas 33 anos nos separam dessas circunstâncias politicas, no nosso país.

E lembrar que ainda temos muito pela frente, que o medo teve 40 ou 50 anos para se entranhar nas pessoas que ainda não acreditam que voltámos à Europa.

Ainda há quem sinta que não conseguirá resolver nada numa repartição pública se lá não conhecer alguém, ainda se pede a quem conheça o médico da pessoa de família que foi internada que “dê uma palavrinha” por ela (diga-se que não foram os médicos quem criou essa atitude!); ainda se receia não conseguir um trabalho por razões exteriores à competência profissional …

O liberalismo económico, dinheiro gera dinheiro, está a criar uma separação entre os que o têm e os que o não têm que faz lembrar tempos antigos.

Foi a fome de dignidade, não apenas de comida, que levou tantos portugueses, nos anos 60, para as terras frias do Norte da Europa, votando com os pés, envergonhando Salazar. Lembro-me do espanto dos que aceitavam o salazarismo quando se falava de dignidade humana— nunca tinham tido a sua pisada, não achavam que isso fosse um assunto político: “afinal, mesmo na prisão, um homem pode manter a sua dignidade, é um assunto pessoal! E, se são capazes, trabalhadores, inteligentes, porque não se juntam a nós, que vivemos bem? O regime é justo!”.

A Europa é uma árvore jovem, com 50 anos, que ainda se alimenta do estrume do nazismo e da sua guerra. Não deixemos de a regar: há períodos de seca pela frente, há doenças possíveis, riscos vários, tempestades— acarinhemo-la! Europa, satélite de Júpiter

É possível que o filme que precede o logótipo das comemorações dos 50 anos da Europa

se inspirasse nesta imagem de Europa, satélite de Júpiter, tirada pela sonda Galileu.

publicado por paradoxosfilho às 14:51
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006

Turquia

 

Eis um desafio para a Europa. Hoje, no Publico, há duas opinioes diferentes: O Vasco Pulido Valente contra e o José Júdice a favor. A Europa é uma novidade no mundo, um império sem imperador (embora Pedro Santana Lopes pareça achar que o imperador é o amigo dele, o Durao Barroso). Sao países que livremente se associam; querem a Paz no mundo, os direitos humanos, a democracia... O 1o ministro da Turquia apressou-se a dizer que o Papa era a favor da entrada de Turquia. Os "sound bytes" dos "media" também; mas o Papa apenas lhe desejou boa sorte. Durão Barroso, antes da visita do papa tinha dito o óbvio: se corresponderem aos nossos critérios--e ainda falta--muito bem! Nao devemos temer uma Turquia que respeite os nossos valores; pelo contrário. E não devemos associar-nos a países que os nao respeitem. É um desafio mas pode ser mais um passo para a Paz no mundo. Oxalá o nosso Barroso esteja à altura, que continue a dizer que sim se! Parece-me uma chantagem justa porque o nao é: têm que respeitar a casa onde entram, é normal. Se respeitarem, são bem-vindos!

estou: esperançado
publicado por paradoxosfilho às 21:05
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