Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Aquele menino está a fumar!

 A “opinião pública” somos nós e compete-nos, em democracia, tomar conta da sociedade, velar por que ela funcione dentro das regras que mais lhe convêm. A “sociedade” somos nós, portanto queremos que ela funcione da maneira que mais nos convém. A todos. Como somos muitos, discutimos, livremente (foi difícil ganhar a liberdade, e ela é frágil) quais as regras que melhor nos servem, a todos. Não só nos jornais, que são mais lidos, também nos blogs, na rua, em toda a parte. E, de facto, a opinião pública tem peso. É bom que tenha. É bom que as regras que facilitam a vida de todos sejam definidas por todos. Houve tempo em que o eram por um grupo mais forte (por exemplo os nobres tinham leis e tribunais próprios ainda no século XVIII e tinham direito a que o Estado lhes desse uma pensão “digna da sua condição”, quando se arruinavam—o que era vulgar).

A opinião pública é, naturalmente, democrata. Os grupos privilegiados actuais tratam de a manipular, por todos os meios. Não é fácil mas o dinheiro consegue muita coisa. Por exemplo, ontem, reencaminhei um e-mail que propunha que boicotássemos a Galpe e a BPê (escrevi mal de propósito, leitor, já verá porquê!), que só metêssemos gasolinae das outras marcas para as forçar a diminuir os preços. É que, apesar da subida (eventualmente infinita, porque a Terra é finita) do "pretrólio" as companhias têm uma grande margem de lucro e há especulação. Aconteceu que grande número dos meus amigos não recebeu o e-mail (554 554 Content rejected by policy <i> (#5.7.1)); mandei outros mails, de outros assuntos, e já receberam; ou seja, algum informático brilhante “marcou” aquela mensagem para que não circulasse por e-mail; uma espécie de vírus por encomenda— claro que é legítimo pensar quem o encomendou.

Nos aviões poder-se-ia fumar nos lugares de trás se o sistema de ar condicionado estivesse preparado para isso, o ar seria puro à frente. Mas ficaria mais caro às companhias, é mais barato circular o mesmo ar dentro do avião, sem ter que o aquecer. Preferiram gastar dinheiro a manipular a opinião pública, pelos vistos foi mais barato. Nós, a opinião pública, manipulamos os nossos governos, compete-nos isso. Mas somos manipulados pelas grandes companhias, que também manipulam os governos directamente, sem nos usar como intermediários.

Hoje, no Público, jornal que leio todos os dias, o que é notícia é que seja notícia que o Eng. Sócrates tenha fumado no avião! O que nós queremos é que seja possível respirar ar puro, em alguns dos lugares dos aviões e fumar, noutros lugares. Não é um artigo pela liberdade.

Lembro-me do sítio onde meditei sobre a frase que me tinham dito, pelos meus cinco anos, tão importante me pareceu, tão a sério a levei: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.

O engenheiro que nos governa (decerto com boas intenções, de que se diz que está o inferno cheio) tem-nos incomodado com polícias a intimidar manifestantes, com a ASAE a atrapalhar os queijos, os rissóis, as bolas de Berlim, com várias parvoíces. Mas fume, Sr. Engenheiro! Não lhe queremos fazer o que não queremos que nos faça a nós. Queremos que perceba que é manipulado, que perceba que o TGV não é um desígnio nacional mas o de algumas companhias, queremos que se deixe manipular pela opinião pública mas não o queremos incomodar! Decerto pediu licença para fumar aos seus companheiros de viagem ou viajava num avião equipado para isso, não se deixe manipular por um jornal que quer vender papel e se esquece da sua responsabilidade de pensar!

P.S. Quando, depois de escrever isto, juntei a referência ao erro de entrega de e-mail, o meu anti-vírus anunciou uma tentativa (conseguida?) de entrada no meu computador. Pouco depois o internet explorer apagava-se. O sapo tinha uma cópia de segurança, que me propôs quando lá voltei e cá estamos. O que me pergunto é: por quanto tempo teremos esta maravilhosa liberdade de escrever? A liberdade é frágil.

publicado por paradoxosfilho às 09:28
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Sábado, 22 de Março de 2008

O bom senso nunca é reaccionário

Era obrigatório ir à escola até à 3ª classe, depois até à 4ª (sem a 4ª classe não se podia ter carta de condução, muita gente se instruiu por isso!).

Aos 10 ou 11 anos, com a 4ª classe, quem quisesse, tivesse pais dispostos a isso (e capazes disso), podia fazer o exame de admissão aos Liceus. É que se podia ter a 4ª classe e não ser admitido aos liceus.

Ser admitido, que coincidia com tirar o bilhete de identidade, que era necessário, era o final da infância, uma espécie de iniciação; era habitual, no Liceu, os alunos serem tratados por Sr. Fulano, enquanto na escola não.

Estes senhores estavam no Liceu porque tinham conseguido entrar lá. Ninguém os coagira. No Liceu havia uma disciplina, claro, havia regras; as regras faziam parte da escolha que o aluno fizera, a de ser aluno! Em alternativa poderia ter ido trabalhar como servente de um mestre, instituição medieval que perdurava, ou simplesmente continuar a ajudar no campo, com responsabilidades que iam crescendo com ele. Havia sempre lugar na lavoura.

 

Era uma sociedade injusta, como a de hoje, aliás. Os filhos dos proprietários rurais iam parar a Coimbra, onde pouco aprendiam, os filhos dos caseiros dificilmente. Essa injustiça foi sentida pela geração que apoiou a Reforma do ministro Veiga Simão, do governo de Marcelo Caetano, o privilégio, sentido, justamente, como injusto, deveria ser expandido a toda a população. Eventualmente o ensino obrigatório estendeu-se aos Liceus. Os miúdos, coagidos a estudar por força da lei, deixaram de ser senhores. Gente coagida a fazer algo cabe melhor na designação de escravo.

 

Os Liceus encheram-se de gente que não queria estudar, que lá estava porque a isso era obrigada. Como era muita gente precisava de muitos professores, que as universidades produziam aos milhares e a quem a sociedade não conseguia dar emprego suficiente. Professores que, muitas vezes, teriam querido ter outro trabalho. O que é estranho é que destes novos liceus tenham saído alguns dos melhores cientistas do mundo, e saíram!

 

Mas não é estranho que uma “aluna”, obrigada a aprender francês, recuse à sua professora o direito de lhe tirar o telefone portátil. Estranho é que ela esteja na aula se a não quer ouvir.

 

Partilho o sentimento, que é o da minha geração, de que a escola deva ser acessível a todos. Abomino a ideia de que deva ser obrigatória (coisa que também será da geração que dizia “é proibido proibir”). Qualquer coacção é uma violência. A violência, além de desnecessária, não funciona. Aliás, só aprendemos o que queremos aprender. Tantos miúdos vão espontaneamente à Wikipédia procurar informações, conhecimentos … que sentido faria obrigar os miúdos todos a pesquisar a Wikipédia, para seu bem? E seria a enciclopédia toda, ou só aquilo que os ministros decretassem?

 

Eu sei, o bom senso está, habitualmente, uns bons 20 anos à frente do senso comum… e o dito senso comum ainda pensa que somos pouco mais que macacos amestrados que, se não formos forçados a ser civilizados só queremos fazer macaquices, um perigo! É um “humanismo” que não acredita no homem; que pensa que tem que fazer muitas leis para nos obrigar a ser gente.

Mas a nossa é uma geração anarca, leitor, cuidado com o que lê! É uma geração que acha que toda a gente merece respeito, que abomina a violência, que ama a liberdade e que tem a lata de pensar que toda a gente é assim, no fundo.

Os problemas da democracia resolvem-se aprofundando a democracia. Nunca com violência.

publicado por paradoxosfilho às 17:46
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Tibete livre!

Respeito, dignidade, estes são valores centrais da Organização das Nações Unidas, são valores que estão na base da criação da Paz. Embora haja jovens que querem a independência, o Dalai Lama pede apenas contactos para uma autonomia; o importante é que se pare de tentar destruir uma cultura, com a sua religião, aquela que está no “Tecto do Mundo”, por sinal.

 

Petição pelo fim da violência no Tibete

 

De uma fotografia de Mica Costa Grande, Laasa, Novembro de 2003
 

Outra petição, ao Presidente da China, que vai em quase 800 milhões (errata de 14.Maio.2008: onde se lê "milhões" leia-se "mil". Hoje, o dobro, um milhão e seicentos mil).

publicado por paradoxosfilho às 12:34
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Política

O nosso primeiro-ministro teve uma oportunidade de ser paradoxal, de estar “onde a terra se acaba e o mar começa”, em vez de estar na West Coast. Teria que se desculpar junto dos seus colegas com quem se comprometeu a não fazer o referendo, dizendo que se esquecera, com o entusiasmo de ver o tratado aprovado, de que tinha um compromisso anterior com os seus eleitores. O grande defensor do tratado que o põe a referendo, essa seria uma contribuição para a democracia na Europa. Em vez disso usou as técnicas habituais de manipulação: no dia seguinte ao seu anúncio de que não faria o referendo, anunciou que abandonava a OTA por Alcochete; assim distraiu a atenção política, um clássico sound byte para esconder o outro.

Este é o assunto principal, hoje o marketing tem o lugar da velha censura, que já não é possível. E temos que aprender a combatê-lo. Porque ele pode, até, ressuscitar a censura. “Unidade anti-fascista” e diversidade de opiniões. Mas não ser lorpa, a liberdade foi sempre frágil, a Europa não é um escudo que nos proteja, é uma responsabilidade que partilhamos.                                                                        oh Portugal!

publicado por paradoxosfilho às 13:32
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Pensar, pense quem lê

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Nós pensamos que pensamos
Mas sentimos ao pensar.
Como a água que corre pela encosta abaixo
E já tem um só caminho, que ainda não molhou.
 
Caminho que só barragens, criadas por forças estranhas, podem mudar.
Ela só se sente livre, a correr e a molhar, não é.
 
Para sermos nós a fazer o curso do nosso pensar
Temos que ter a liberdade de sentir.
 
Só procura a liberdade quem lhe sente a falta
E, no correr deste pensar,
Viria, se não sentisse esperança
Que a nossa livre terra, a alargada Europa
Vai deixar de procurar a liberdade,
Vai-se atar em leis de crescente segurança.
 
Nós pensamos que pensamos
Mas sentimos ao pensar.
Guiam-nos os deuses, que são os nossos mitos,
Olímpicos, serenos, imortais
Senhores invisíveis e reais
Que criámos, em idades que esquecemos,
Livres, porque assim os queremos.
 
publicado por paradoxosfilho às 00:22
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Chavéz

Perdido o petróleo, aos EUA pouco interessa a distribuição de terras na Venezuela. Chávez tem vindo a fazer uma reforma agrária, benéfica para lavradores sem terra, prejudicial aos grandes proprietários, que vão vendendo as terras, antes que as tomem. Reeleito com mais de 60%, em eleições que foram consideradas livres por observadores internacionais, o presidente da Venezuela cometeu um erro histórico, que pode custar as terras aos novos proprietários e o petróleo ao país: decidiu fechar uma televisão que vem exprimindo o descontentamento dos prejudicados. Com uma ridícula retórica de que esta, ao falar sobre a tentativa de assassinato do Papa, estava a sugerir o assassinato do Presidente, tenta— e pode ter poder para o conseguir— fechá-la. A liberdade de expressão é essencial à democracia. Portando-se como um tirano passa a ser um tirano, muito embora tenha sido eleito democraticamente e tenha feito muita coisa para libertar o povo da miséria. Vai havendo regras, na política, como no futebol, permita-se o optimismo: há cartões vermelhos; para já, o árbitro, que é a opinião publica mundial, deu-lhe um cartão amarelo!

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Liberdade de Imprensa

Transcrevo do Público de hoje, com a devida vénia:

2 de Maio de 2007: O escritor angolano José Eduardo Agualusa foi hoje distinguido com o XII Prémio de Ficção Estrangeira, entregue pela National Portrait Gallery de Londres, pela obra "O Vendedor de Passados".

É um conto, bem escrito, passado em Luanda, sobre um sujeito que criava histórias verosímeis e “documentos” para alindar o passado de quem o quisesse comprar. Antepassados ilustres, graus académicos, honestas formas de se ter enriquecido… Deve ser exótico em Inglaterra, onde alguém que se apresentasse com um passado falso correria o risco de um escândalo público, criado pela imprensa livre. Mas Angola praticamente não conheceu a imprensa livre, passou da censura salazarista para a censura de José Eduardo dos Santos. É um dos muitos países em que ser jornalista é correr risco de vida; o número de jornalistas mortos por fazer o seu trabalho tem aumentado no mundo. E a censura. Por isso, embora o livro seja muito bom, não se pode evitar pensar que os ingleses estão a ajudar Agualusa a sobreviver num país em que a liberdade de expressão não é respeitada; a partir de ontem cresceu a visibilidade de uma possível agressão a esse escritor pelo poder de Luanda e o esforço das tiranias por ser consideradas no Mundo é antigo. O risco que hoje corremos, sobretudo com os desvarios da administração americana, é o de que a opinião pública mundial deixe de respeitar os valores da Declaração Universal dos Direitos Humanos. As infracções banalizam-se, mesmo nos países onde eram impensáveis até há pouco.

Foto de Carlos Serejo, publicada com a devida véniaNeste aspecto, o da liberdade de imprensa, Portugal está entre os mais livres do mundo, tendo como companheiros apenas a Inglaterra, os países nórdicos, o Canadá e a Namíbia! Razão tinha Fernando Pessoa que, lembrando que Lisboa e Atenas estão quase à mesma latitude, nos considerava os herdeiros da civilização grega, neste caso daquele valente povo de Atenas que trepou à Acrópole, onde o tirano se mantinha, e inventou a Democracia.

 

 

publicado por paradoxosfilho às 12:00
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Sábado, 21 de Abril de 2007

Homenagem

Viver sem medoDeixo aqui uma homenagem aos portugueses que tiveram a coragem de nos libertar de uma ditadura anacrónica, de nos restituir a liberdade e a dignidade.

Ao contrário dos outros ditadores europeus dos anos 30, Salazar era instruído, professor catedrático da Universidade de Coimbra, mentia, intimidava e matava para se conservar no poder -- mas com muita competência, dentro da "legalidade".

"(...)e por outras maneiras que sabemos

      Tão sábias, tão subtis e tão peritas

      Que não podem sequer ser bem descritas"

como tão bem o descreveu a Sophia, nesse tempo. Escrevia bem, um português escorreito, nada que se pareça com o "Mein Kampf", era mesmo competente, como tirano! Outro escrito de Sophia :

        O velho abutre alisa as suas penas

        A podridão lhe agrada e os seus discursos

        Têm o dom de fazer as almas mais pequenas

 

Aqui ficam alguns dos grandes feitos do "maior português de sempre", uma lista injustamente pouco conhecida, por um lado porque a modéstia do Doutor, no seu tempo, não permitiu à imprensa que a divulgasse e, por outro lado, porque, quando ela a pôde publicar, nós, mal agradecidos, já não queríamos saber: 

 

1931

O estudante V. Branco morto pela PSP, durante uma   manifestação no
Porto;

1932

Armando Ramos, jovem, morto em consequência de espancamentos; Aurélio
Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é
assassinado a tiro durante uma   manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro

Américo Gomes,operário, morre em Peniche, após dois meses de tortura;
Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura
em consequência da repressão da greve;Júlio Pinto,operário vidreiro,
morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante arepressão
de uma greve em Setúbal

1935

Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no
hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (PVDE);

1936

Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de
Angra do Heroísmo, vítima de maus-tratos, é deportado do 18 de Janeiro
de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a
tortura;

1937

Ernesto Faustino,operário;José Lopes, operário anarquista, morre
durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se
seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente,
tenente-coronel, morre em   condições suspeitas no forte de Caxias;
Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da
Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco
Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e
Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de
quatro dias no Tarrafal,   vítimas das febres e dos maus tratos;
Augusto Almeida Martins,  operário, é assassinado na sede da PIDE
(PVDE) durante a tortura; Abílio Augusto Belchior,operário do Porto,
morre no Tarrafal,vítima das febres e dos maus-tratos;

1938

António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de
Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de
doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no
Aljube, devido a tuberculose contraída em   consequência de
espancamento perpetrado por seis agentes da PIDE durante oito horas;
Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo
do Tarrafal, vítima de maus-tratos; Francisco Esteves, operário
torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo
Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta
agonia sem assistência médica;

1939

Fernando Alcobia, morre no Tarrafal,vítima de doença e de maus-tratos;

1940

Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal,vítima de maus-tratos;
Albino Coelho, morre também no Tarrafal;Mário Castelhano, dirigente
anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941

Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho;António
Guedes Oliveira e Silva; ErnestoJosé Ribeiro,operário, e José Lopes
Dinis morrem no Tarrafal;

1942

Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira
Soares,   médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de
metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento
António Gonçalves,secretário-geral do P. C. P. Morre no
Tarrafal;Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal;
FernandoÓscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da
deportação;António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943

Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António,
Júlio e Constantina, mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias, morre
tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes, morre no Tarrafal com febre
biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo
Lourenço Nunes,operário, morre em consequência de espancamento
perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa;
Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco
dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a
tortura;

1944

General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser
recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de
Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após um
mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves, morre tuberculoso
no Tarrafal; uma mulher e uma criança, assassinados a tiro de
metralhadora durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros
da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses feridos a tiro.

1945

Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário,
assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de
tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex),
operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de
Bucelas; José   António  Companheiro, operário, de Borba, morre de
tuberculose em consequência dos maus-tratos na prisão;

1946

Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após
doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário
litografo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de
prisão;

1947

José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a
tortura na sede da PIDE;

1948

António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante
a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Barreiros,
marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de
deportação;António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18
de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950

Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na
Penitenciaria de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses
de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura
na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo largado por uma
janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre
em Lisboa  após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é
assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951

Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus-tratos na
prisão;

1954

Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão,
durante uma greve, com uma filha nos braços;

1957

Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no
Porto  após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana
do Castelo, morto durante a tortura na sede da PIDE, no Porto, sendo o
corpo, irreconhecível, enterrado ás escondidas num cemitério do Porto;
José Centeio, assalariado rural de Alpiarça,e assassinado pela PIDE;

1958

José Adelino dos Santos, assalariado rural, assassinado a tiro, pela
GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo; vários outros
trabalhadores feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa
Iria, após quinze dias de tortura, largado por uma janela do quarto
andar da sede da PIDE; a esposa do embaixador do Brasil assiste à sua
morte;

1961

Cândido Martins Capilé,operário corticeiro, é assassinado a tiro pela
GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e
militante do PCP,é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962

António Graciano Adágio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel,
assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro,operário de Alcochete, é
assassinado a tiro pela PSP durante a   manifestação do 1: de Maio em
Lisboa;

1963

Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela
PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma   manifestação em Lisboa;

1964

Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é  assassinado em Loulé
pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, assassinado por agentes da
PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965

General Humberto Delgado e a sua secretaria Arajaryr Campos
assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha) pelo inspector
da PIDE Rosa Casaco, o sub-inspector Agostinho Tienza e o agente
Casimiro Monteiro;

1967

Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de
tortura na PIDE;

1968

Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima
de maus-tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, espancado e
morto no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra
colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em
situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite
sem assistência;

1969

Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, assassinado através de um
atentado organizado pela PIDE;

1972

José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e
militante do MRPP, assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à
luta do povo vietnamita e contra a repressão; o seu assassino, o
agente da PIDE Coelho da Rocha, viria a escapar-se na
"fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973

Amílcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde,
é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por
Alpoim Galvão;

1974, 25 de Abril

Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre,José Barreto, de Vendas
Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa e José Guilherme
Rego Arruda, estudante dos Açores, assassinados a tiro pelos pides
acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, ainda feridas duas
dezenas de pessoas.

Houve ainda dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931 e dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos nas deportação para a Guiné, Timor, Angra e Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à
intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de
Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento
franquista; as dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada
pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o
trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos
durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC,
dos "Flechas", etc.

publicado por paradoxosfilho às 19:52
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Segunda-feira, 12 de Março de 2007

Liberdade

   

         A Liberdade, esse mito moderno que partilho com tanta gente, talvez seja um aspecto da nossa ambição de entendimento, de conhecimento. Presos na nossa subjectividade queremos entender os pontos de vista dos outros, parece que nos queremos aproximar do ponto de vista divino, da omnisciência. E porquê? Porque é no nosso entendimento do sentido das coisas que se baseia a nossa segurança e é doloroso confrontarmo-nos com as insuficiências dele. É como se vivêssemos num filme em que já conhecemos as personagens, as regras do jogo e em que, a cada passo, elas nos mostrassem novas facetas, a sua infinita complexidade. O conforto de entender posto em causa, ou criamos um novo entendimento, mais complexo, ou tentamos impor o nosso, nos irritamos e falhamos; porque as personagens têm o seu e não se submetem ao nosso.

         A Liberdade é o que poderia vir de termos à nossa disposição os pontos de vista todos. De aceitarmos e entendermos os dos outros e de sermos, pelos outros, aceites e entendidos. De ter a visão global, alargada, que nos evitasse a triste reacção de nos irritarmos com os comportamentos que saem fora do nosso entendimento do sentido das coisas.

         Mas isto, a Liberdade, não passa de um ponto de vista, uma proposta de filme, de funcionamento social. Que fazer com quem a não aceita, com quem quer impor os seus pontos de vista pela força, essa falta de respeito e sensibilidade? Impor o nosso, o da Liberdade? Isso é uma contradição nos termos. Daí a noção de direito de defesa, de um limite para a liberdade do outro— quando ele quer impor o seu filme, a sua visão do mundo, somos forçados a não permitir. Fazemos uma fronteira, não nos submetemos. Dialogamos. Mas se não querem dialogar, esse processo que alargaria o entendimento de ambos?

         Se fugirem ao diálogo, à busca da verdade possível, da visão binocular, com relevo, que vem da fusão de dois pontos de vista, se preferem tentar impor que percamos o nosso ponto de vista e alinhemos com o deles, se nos dizem que não há nada para conversar, lhes basta um olho, um ponto de vista, então não fazemos nada! Nada. Continuamos disponíveis para “trocar” pontos de vista mas nada podemos fazer que não viesse destruir o nosso mito de Liberdade.

         A natureza dá-nos, porém, uma esperança: permite-nos fechar os olhos, fechar a boca— mas não podemos fechar os ouvidos! Os conceitos expostos em palavras, mesmo que não sejam aceites, são ouvidos. E, no silêncio, fica a esperança.

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publicado por paradoxosfilho às 12:14
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Comunidade Global que somos, face ao mesmo problema

http://www.ipcc.ch/press/prwg2feb07.htm Posso estar enganado mas acredito que está na nossa natureza procurar a verdade. Imagino um antepassado mesmo antigo a usar um pau mais comprido que aquele que o grupo costumava usar para deitar abaixo os frutos da árvore; imagino os outros “macacos” a rirem-se da falta de pontaria dele, a não acertar nos frutos por usar um pau muito comprido; mas estava na natureza dele experimentar. E imagino-o a pôr-se em cima de uma espécie de banco e a conseguir. Essa atitude é-nos natural. Como nos é natural ficar inibido com o riso dos outros e desistir: precisamos de nos sentir integrados no grupo e a rejeição emocional é penosa. Por outro lado há de ter sido um prazer ver como todos passaram a usar o “banco”, dali para a frente. A atitude de tentar compreender as coisas tem sido seleccionada ao longo de milénios. É-nos natural.

         A ideia de que podemos ser livres, de que não precisamos de servir a um senhor para sobreviver ainda hoje não é intuitiva, é "muito avançada". Não chegou ao senso comum completamente, por mais que se diga o contrário.

         Portugal (nome que nasce do “Porto”, cidade burguesa), que tinha reis pobres, um feudalismo ainda mal estruturado e restos da cultura urbana romana e muçulmana, mediterrânica, teve condições favoráveis para essa ideia, desde o princípio. Apareceram muitas “vilas francas” entre nós, como apareceram cidades na Flandres e na Itália— a bela Florença, por exemplo! — onde a ideia de ser livre floresceu. Mas, e perdoe-se que não fui verificar a História, Portugal deve ter sido o primeiro país inteiro em que a burguesia toma o poder. Calhou assim! Como a nobreza, naturalmente leal, seguindo a legalidade e os costumes, prestou vassalagem ao rei de Castela, houve uma oportunidade para criar novas regras. João das Regras, ainda hoje odiado pelos que se recusam a usar um banquinho para apanhar a fruta— preferem ter criados que a apanhem! — lá conseguiu fazer aceitar a nova ordem pelos outros países da Europa, e pelo papa, que era comprável, perdoe-se o facto histórico. Nun’Álvres Pereira, um filho muito mais que segundo de um muito pequeno fidalgo teve a sorte de que, nessa altura, o duque de Lancaster reivindicava direitos na Galiza. Arranjou um aliado importante, o povo alinhou e venceu Castela. O mestre de Avis foi aclamado rei pela burguesia de Lisboa e pelo país todo. O primeiro rei burguês, que se casou com a filha do duque de Lancaster e começou uma nova história.

         Henrique, um dos filhos (rico graças à fortuna dos templários que o seu trisavô, D. Diniz, soubera acautelar criando a Ordem de Cristo, da qual Henrique era o Mestre) quis ver se a Terra era mesmo redonda, como alguns antigos em Alexandria já sabiam mas que não era ainda do senso comum, nem sequer do bom senso. Experimentou, foi ver; e trouxeram-lhe novas de que o céu era diferente, lá para o Sul, apareciam novas constelações!

         Toda a atitude de Portugal era científica, experimental, ver para crer, procurar a verdade, desconfiar do que Aristóteles dizia. E, como teve sucesso, levou a Europa toda atrás, nessa atitude. Daí Fernando Pessoa dizer que Portugal inventou a modernidade, fenómeno europeu, mas de que éramos a cabeça, a ponta de lança.

         Castela alinhou na aventura, depois a Europa, hoje o mundo todo. O “banquinho” que é a ciência passou a ser usado por todos, já ninguém se ri dele.

         Ontem, 2.500 cientistas vieram dizer, muito oficialmente, com a chancela da ONU, que, “inequivocamente” a aventura levou ao aquecimento do planeta e que, se não pararmos de aumentar a produção de CO2, cujo teor nunca tinha sido tão alto na atmosfera desde há 650.000 anos, damos cabo do planeta. Custou-me ouvir um dos ministros do Canadá, um dos países mais civilizados do Mundo, dizer que ficara surpreendido com a dimensão do problema. É falso, já sabia, todos sabem! O CO2 subiu 20%, na atmosfera, nos últimos 10 anos, é um facto. Já não se podem rir da ciência mas ainda podem fazer de conta, adiar. “Quem está bem deixa-se estar”.

         Mas está no ar um novo Renascimento, uma nova Idade, o povo vai ter que mudar as regras, como no tempo em que os “minori” tomaram o poder no Palazo de la Signoria, em Florença, ou o mestre de Avis deitou pela janela o Conde Andeiro.

         Enquanto português sinto-me responsável. Nós criámos este mundo. Não me interessa que os outros “macacos” se riam. A nossa alma adormecida tem aqui um desafio à sua altura. Empenhemo-nos, radicalmente, em não aumentar a nossa produção de CO2 (embora estejamos abaixo da média europeia, embora tivéssemos saído de cena antes da industrialização, nem sabemos bem o que isso é — mas não nos desresponsabilizemos!). Somos ainda a cabeça ou a face da Europa, ainda a podemos levar, de novo, e ao Mundo, por novos caminhos, novos paradigmas a inventar (ouço o riso dos "macacos").

         "Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia / Cadáver adiado que procria?". Que se riam os “macacos”! « Rira mieux qui rira le dernier ».

Que cenário destes vamos escolher, comunidade global que enfim somos, face à mesma ameaça?

 

 

 

publicado por paradoxosfilho às 14:20
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Lirismo sincrónico

Dor cansaço tédio – e chega um mail!

Esperança amor força…

a consciência de que há acasos simpáticos

alguém no computador central que os cria?

Sincronicidades? Mistérios do Inconsciente Colectivo?

— E se não houver acaso, como antes de se inventar o conceito,

Antes das cruzadas, antes da Hubris dos bentos?

 

Legítima defesa talvez seja, mesmo, diferente de violência

Se soubermos respeitar, quiçá amar, quem nos agride

E o não deixarmos porque nos respeitamos, amamos,

Porque somos gente também

 

É assim que digo o que penso

Em legítima defesa do direito a pensar

E a comunicar

Não há de ser o mesmo que violência;

A intenção não é ferir, é existir!

Ferir a intenção de ferir, não o corpo vítima

Das intenções violentas que o agridem

 

O poder é tirar a liberdade

E as palavras o não teem mesmo!

 

Podem até— oh! ingenuidade!—criá-la onde a não há

Repor a razão, o respeito pelo outro

O equilíbrio das emoções justas, fraternas— quem sabe? Podem!

 

Assim distingo entre a força das palavras e a do corpo físico

e, quanto às palavras destrambelhadas, elas só ferem quem delas precisar,

ajudam mesmo a conhecer, na dor, o que há para curar

 

Porém, às crianças e a quem nos ama, pesemos as palavras

digamos a razão com gentileza e com amor

— porque podemos ferir, ser violentos sem tocar no corpo—

mas digamos a razão!

Não a dizer

lembra o cirurgião que por medo não opera

— mas, se ele souber que não sabe operar

Cobarde seria se o fizesse!

 

Aprender a não ferir sem nos calarmos

Aprender as palavras certas, sua música, os tempos e os modos

Aprender,

ouvir, no silêncio difícil, o que em nós é liberdade

O que, em nós, somos nós todos.

                                                                                                                                                                                                Phil Borges, fotógrafo do mundo, a violência da nossa cultura ocidental

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publicado por paradoxosfilho às 00:07
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Domingo, 7 de Janeiro de 2007

ted

http://www.ted.com/about/introduction/flash_page.cfm

http://www.ted.com/tedtalks/tedtalksplayer.cfm?key=w_davis

http://www.ted.com/tedtalks/tedtalksplayer.cfm?key=b_schwartz

http://www.ted.com/tedtalks/tedtalksplayer.cfm?key=b_saunders

http://www.ted.com/tedtalks/tedtalksplayer.cfm?key=p_gabriel

estou: entusiasmado!
publicado por paradoxosfilho às 11:07
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Humildade

         Os adultos jovens e saudáveis podem ver na humildade uma fraqueza de crianças ou de velhos. Que é que não está ao alcance do Homem, se ele nisso se empenhar? A ciência, o conhecimento, a sabedoria, tudo é ao alcance de quem se meter ao caminho. Podem ver a humildade como coisa pregada por gente que quer poder e que algum lucro tira de essa “virtude” incutir aos fracos.

         E podem guardar a convicção de que, se um dia sentirem isso da “humildade” saberão que envelheceram mas não deixarão de pensar como antes.

         Porém esbarramos, a cada passo, com aquilo que nos transcende: o tempo, o mistério da morte. E, mesmo nos campos que não são transcendentes, assuntos estudáveis, acessíveis ao nosso esforço, o tempo de uma vida não chega; e cada vez menos chegará. A humildade é uma questão de inteligência, parece ser uma atitude natural.

         “A verdade está no paradoxo”, como dizia Fernando Pessoa.

         Pediram-nos, de facto, humildade, no tempo do Estado Novo, por exemplo. Lembro-me de me dizerem, quando falava, criança, em democracia: “esse assunto já foi estudado por quem sabe, a democracia não se pode aplicar nos países do sul da Europa, não somos ingleses”—!— e ela nasceu em Atenas, que está à mesma latitude de Lisboa! A cada passo vemos “doutorados” invocar argumentos de autoridade que, uns anos mais tarde, se mostram errados. Talvez seja o caso na polémica referida em outros posts entre o historiador (com livros bem feitos, estudados) V. Pulido Valente e o pouco humilde José Júdice, o qual sugere que a Europa atravesse o Mediterrâneo.

          A condição humana pede-nos que tenhamos a ousadia de pensar sobre assuntos em que nos sentimos humildes, ignorantes. E que tenhamos a humildade de nos interrogar sobre os assuntos em que nos sentimos seguros de conhecer.

 

         Uma notícia de hoje: a guerra do Iraque já atingiu o que os USA gastaram no Vietname, em valores actuais: 549 mil milhões de dólares.

         Lembremos que muita gente pensou, humildemente, que os USA deviam saber o que estavam a fazer, com tantos conselheiros, das melhores Universidades do mundo. Foi considerado pouco humilde pensar que se não tratava da necessidade estratégica de petróleo mas, simplesmente, da necessidade de lucro da maior indústria americana: a das armas.

         Por fim lembremos a sabedoria popular, face à qual me sinto humilde e atrevido, paradoxal: “Deus escreve direito por linhas tortas”.

         O Destino parece existir, mas somos nós que o fazemos! Humildemente.

publicado por paradoxosfilho às 14:46
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

A internet em risco

Blogs como este, grátis, desapareceriam. Só veríamos o que as companhias de telefones e de cabo nos dessem! Porque querem elas controlar esta liberdade de aceder a todos os sites? Procuram o lucro, claro! Há um grande movimento para impedir que essa lei passe, nos USA:  http://www.youtube.com/profile?user=SaveTheInternet
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publicado por paradoxosfilho às 16:17
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Sábado, 2 de Dezembro de 2006

Prisão

Hoje, quando cheguei a casa, dentro da grande janela da salamandra um passarinho voava contra o vidro, as asas abertas sem sair do sítio, a teimosia infrutífera, um ar de criança que pede auxílio. Era belo, no seu esbracejar. Acalmei-o com palavras ternas que me saíram disparatadamente enquanto caminhava, apressado, para a janela da sala, que abri. Por um instante apeteceu-me vê-lo melhor. Mas nao perdi tempo a chegar à salamandra e a abrir a porta da prisão. Caíu no tapete mas logo se levantou e voou, passando uma tangente ao rebordo da janela e desaparecendo na direcção das árvores. Imaginei-o feliz.
Não parou para agradecer. O reconhecimento, um sorriso que agradece, é coisa humana, só os cães o podem saber imitar. E não precisar dele, é divino. Só nós o podemos tentar imitar!
Mas neste caso, passarinho, o que tenho pena é de não ter tido tempo nem saber para te pedir desculpa, coisa mais humana que divina, essa coisa da culpa. Mas fui eu quem mandou fazer a armadilha que é a chaminé em que caíste!
Tinhas o ar dos meninos de Africa, que caíram nas cidades que fizemos. E que não podem voltar atrás, subir de novo ao céu perdido. Têm que sair por uma porta que só nós podemos abrir ... e olham, no ecrã de vidro, a liberdade lá de fora.
publicado por paradoxosfilho às 12:42
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