Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Max Planck

Uma lição sobre mecânica quântica, na livraria Almedina, com um jovem astrofísico, Paulo Galli Macedo e aquele que foi seu mestre, antes de ele ir para Londres, Carlos Herdeiro. Tudo começou em 1900, com a constante de Planck; mostraram-nos como a mecânica quântica é um modelo que se aplica aos fenómenos consistentemente. É ciência. Mas a ciência, como disse o orador mais velho, não serve para descobrir a Verdade, como ele pensava em jovem, serve, apenas, para interferir eficazmente na tal realidade que o modelo descreve, serve a tecnologia. E está à vista que sim. Como Homem, disse ele, a sua procura foi por outros caminhos, percebeu que a ciência lhe não podia dar respostas. Citou o verso de Pessoa, “o mito é o nada que é tudo”, relacionando-o com essa descoberta assombrosa— e recente— de que há energia no vácuo, de que aparecem coisas do nada (provou-se que o Universo, em expansão— acelerada, sabemo-lo desde 1998— mantém a mesma densidade!... mas a física nada tem a ver com o senso comum, queríamos que as partículas se parecessem com bolas de bilhar e talvez se pareçam com cordas!).

E o mais jovem, nada dado a filosofias especulativas, surpreendeu-nos, depois de nos dar tanta informação científica, lendo um texto de Agostinho da Silva sobre a procura da Verdade (há um semelhante neste blog), pondo a ciência no seu lugar!

Falou-se dos mitos da ciência, do uso abusivo de conceitos como o de “quântico”— que vem de “quantidade”, daí a tal constante de Planck— ou de que a teoria da relatividade não prova que, noutro espaço ou noutro tempo, se mantenha a velocidade da luz.

Curioso foi Carlos Herdeiro a ir buscar o pensamento oriental (e aquele anterior ao positivismo) de que somos um com o universo, de que observador e objecto são o mesmo— até poderiam ter falado do conceito indiano de Maia, a realidade como ilusão— tudo isto porque “colapsa” o campo energético quando o observamos, isto é, desde Heisenberg que sabemos que o observador interfere no que observa.

Outra coisa interessante que se disse foi que, embora o conhecimento científico seja assimptótico, se aproxime da verdade sem nunca lá chegar, nada nos diz que o universo seja inteligível, racional.

Digo eu que apenas nos fascina descobrir; e mais, que esse é o nosso papel “natural”; assim terá razão o Papa no polémico discurso em que diz que “ser irracional é ir contra a natureza de Deus”.

A física teórica parece-se com uma paixão e tem efeitos práticos no mundo, bem mensuráveis! A nós, que não somos físicos, que podemos entender essa paixão mas a não vivemos, consola-nos ver que os sábios são humildes, ouvir deles que acham que todos temos o direito (e o dever) de pensar!

 

Um dos efeitos práticos, paradoxais, da mecânica quântica, com que o século XX começou e viveu, pode ter sido o de ter acabado por chegar ao senso comum a noção de que a verdade é inacessível, de que varia com o observador, de que é subjectiva, relativa— de que não interessa!

Daí a acharmos que temos o direito, subjectivo (mesmo sem sermos daltónicos!) de chamar verde a uma coisa vermelha, vai um pequeno passo.

Um passo que os cientistas não dão, eles que procuram a verdade, "assiptópticamente". Mas passo que dá alegremente o senso comum do fim do século XX e, ao fazê-lo, dá cabo das relações humanas, porque precisamos de confiar uns nos outros, precisamos de acreditar no que nos dizem!

Creio que, mesmo com o "pobre" instrumento para conhecer a Verdade que é a Ciência, podemos descobrir que o “modelo” de não valorizar as palavras, de não dar uma existência “real” aos conceitos a que elas se referem com exactidão, de aceitar que signifiquem algo de diferente para cada um de nós, é um “modelo” destinado ao fracasso da comunicação.

E a palavra, a razão, o “verbo”, será um mito, é decerto abstracto— mas é o “nada que é tudo”.

Sem ele, sem a comunicação (que exige a Verdade), não nos poderíamos apaixonar pela física, não poderíamos ter o projecto de, em 2010, lançar um satélite na esperança de fazer medidas que permitam criar a mecânica quântica da gravidade, a tal quarta força que resiste a ser integrada no modelo quântico!

 

Dia 21 de Dez, ás 21:30, o Taoísmo, com Flávia Monsaraz, a decana dos nossos astrólogos portugueses, na livraria Almedina, no Arrábida Shopping.

estou: ignorante
publicado por paradoxosfilho às 02:00
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