Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Pensar, pense quem lê

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Nós pensamos que pensamos
Mas sentimos ao pensar.
Como a água que corre pela encosta abaixo
E já tem um só caminho, que ainda não molhou.
 
Caminho que só barragens, criadas por forças estranhas, podem mudar.
Ela só se sente livre, a correr e a molhar, não é.
 
Para sermos nós a fazer o curso do nosso pensar
Temos que ter a liberdade de sentir.
 
Só procura a liberdade quem lhe sente a falta
E, no correr deste pensar,
Viria, se não sentisse esperança
Que a nossa livre terra, a alargada Europa
Vai deixar de procurar a liberdade,
Vai-se atar em leis de crescente segurança.
 
Nós pensamos que pensamos
Mas sentimos ao pensar.
Guiam-nos os deuses, que são os nossos mitos,
Olímpicos, serenos, imortais
Senhores invisíveis e reais
Que criámos, em idades que esquecemos,
Livres, porque assim os queremos.
 
publicado por paradoxosfilho às 00:22
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Prémios bem dados, com razão, inteligência

Sou português, republicano e tenho que tirar o chapéu à Fundação espanhola que tão bem sabe escolher os seus premiados.
Reunido en Oviedo el Jurado del Premio Príncipe de Asturias de las Artes 2007 [...] , ha acordado otorgar el Premio Príncipe de Asturias de las Artes 2007 a Robert Allen Zimmerman, Bob Dylan, mito viviente en la historia de la música popular y faro de una generación que tuvo el sueño de cambiar el mundo. Austero en las formas y profundo en los mensajes, Dylan conjuga la canción y la poesía en una obra que crea escuela y determina la educación sentimental de muchos millones de personas.
Houve um tempo em que saíram da Califórnia para os sítios mais bonitos do mundo (hoje convenientemente estragados) umas criaturas felizes, com ar de mendigo florido, em perpétuo e tranquilo amor livre. Convivi com essa gente nas fraldas da Serra Nevada e a música de Bob Dylan tocava, ininterruptamente, num pobre leitor de cassetes. Pareciam precisar daquele som para viver, não falavam do absurdo da guerra no Vietnam, nem falavam da Paz, porque a viviam! Liam. Conheciam as culturas que visitavam; nunca mais a América teve embaixadores desses!
Al Gore, dessa geração, atribui, no seu último livro, que acaba de sair ("The Assault on Reason", The Penguin Press, New York, 2007) a Gutenberg, à imprensa, o iluminismo, a razão, a democracia americana. Ler é diferente de ver. Ao ler somos forçados a criar idéias abstractas, ao ver televisão ficamos pelas emoções. E daí a percentagem de americanos que ainda acredita que Saddam foi responsável pela queda das torres gémeas e que tinha armas atómicas, porque não leu os desmentidos, os factos, só viu o presidente, muito sério, na TV.
[...] decide conceder el Premio Príncipe de Asturias de Cooperación Internacional 2007 a Al Gore, presidente de la Alianza para la Protección del Clima (Alliance for Climate Protection), por su decisiva contribución al progreso en la solución de los graves problemas del cambio climático que amenazan nuestro planeta y que hacen estrictamente necesaria la cooperación internacional para su solución. El Jurado quiere, sobre todo, resaltar con este premio los grandes méritos de Al Gore, un hombre público que, con su liderazgo, ha contribuido a sensibilizar a sociedades y gobiernos de todo el mundo en defensa de esta noble y trascendental causa.
publicado por paradoxosfilho às 01:07
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Paradoxo quotidiano

Pablo Picasso, Mulher a chorarUm dos paradoxos mais frequentes e necessários da vida talvez seja o aceitar quem erra sem aceitar o “acerto” de errar, aceitando o erro e quem erra. Mostrar a quem errou a razão do erro ser erro, para nós, a liberdade que lhe reconhecemos de errar, a nossa liberdade de julgar o certo e o errado, a nossa liberdade de tentar evitar as consequências dos erros e como aceitamos incondicionalmente a pessoa, com seus erros. Pouca gente percebe que se possa amar sem abdicar da razão. E pouca gente percebe que o pedir-nos que abdiquemos da nossa liberdade de pensar, por amor, é não nos aceitar, é contrário ao mesmo amor. Mas a verdade está no paradoxo.

publicado por paradoxosfilho às 00:30
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

O Sol e a Lua

 

  

Desde a queda do muro de Berlim que se fala da morte da esquerda. Façamos uma analogia: o Sol é a direita e a Lua a esquerda. E está a acabar o eclipse da Lua (a esquerda), que durou os anos 90 e o início deste século. De novo ela é visível na nossa noite, sobretudo nos dias em que mais claramente se opõe ao Sol. Materna, sem luz própria, ilumina a nossa fragilidade nocturna, solidária, humilde. É o inconsciente, as emoções, a esperança de um outro dia.

O Sol é o Pai, a força da luz que tem, a consciência, a razão, o que existe sem dúvidas e as combate, o que nada espera do seu declinar: carpe diem!

Fernando Pessoa, que não levava a sério a sociologia, “ciência” nascente, e se tomava ironicamente por “sociólogo”, escreveu sobre isto quando disse que, numa sociedade, existem forças conservadoras e outras progressistas e que o excesso de umas leva à força das outras. Não sei se conhecia o conceito chinês de que o excesso de Yang (a direita) o transforma em Yin (a esquerda) e vice versa mas sabe-se que estudou Alquimia, conheceria o conceito das “bodas alquímicas”, entre o Sol e a Lua, os símbolos para todos os opostos.

Talvez se possa dizer, dialecto-materialisticamente, que a contradição entre o “Comunismo” e o “Liberalismo” gerou a Europa social-democrata que temos, a qual, perdida a Mãe, ainda tem Pai (punhámos o Bush filho nesse lugar!) mas que, quando o perder, há de iluminar, de noite, a Lua que ora nasce; na América do Sul? Connosco, Ibéria? Talvez, mas “o futuro a Deus pertence”, não a nós. O nosso “sociólogo” (F. Pessoa) escreveu sobre a Ibéria, caracterizou os “nuestros hermanos” como organizados (solares, portanto, do cérebro esquerdo, Yang) e a nós como emotivos (lunares, portanto, do cérebro direito, Yin). Preconizou (antes de Franco) a Monarquia para Espanha e a República para Portugal. E a união ibérica, união livre de estados independentes, mas íntima, geradora de civilização, fértil. É sabido como andamos sempre em contra-ciclo, politicamente, mas nunca estivemos tão perto: o Sócrates solar que ilumina com as suas “certezas” este povo lunar e o Zapatero, lunar, que fala de emoções de solidariedade a esse povo solar, organizado, são o prenúncio de um encontro fértil, que ultrapassa as visões de Torga ou de Unamuno.

Dizia F. Pessoa que algo que nos individualiza, a nós, Ibéria, na Europa, é o facto de Carlos Magno ter parado os muçulmanos nos Pirinéus. Vivemos durante 700 anos numa civilização rica, que lia os gregos antes do Renascimento, que permitia que cristãos convivessem com judeus e islâmicos enquanto a Europa era só bárbara; e essa faceta da nossa história ter-nos-á dado a vantagem cultural que nos levou a descobrir o mundo, a “inventar a modernidade”, como ele dizia.

Talvez estejamos fadados, desde esse tempo, para resolver esse fictício “choque de civilizações” que o “pai Bush”, viúvo da U.R.S.S, inventou para se entreter e dar vazão aos seus canhões. E sem sair da Europa, José Saramago, sem uma fenda nos Pirinéus, aqui mesmo, na nossa aldeia global.

estou: chanfrado
publicado por paradoxosfilho às 12:02
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