Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Aquele menino está a fumar!

 A “opinião pública” somos nós e compete-nos, em democracia, tomar conta da sociedade, velar por que ela funcione dentro das regras que mais lhe convêm. A “sociedade” somos nós, portanto queremos que ela funcione da maneira que mais nos convém. A todos. Como somos muitos, discutimos, livremente (foi difícil ganhar a liberdade, e ela é frágil) quais as regras que melhor nos servem, a todos. Não só nos jornais, que são mais lidos, também nos blogs, na rua, em toda a parte. E, de facto, a opinião pública tem peso. É bom que tenha. É bom que as regras que facilitam a vida de todos sejam definidas por todos. Houve tempo em que o eram por um grupo mais forte (por exemplo os nobres tinham leis e tribunais próprios ainda no século XVIII e tinham direito a que o Estado lhes desse uma pensão “digna da sua condição”, quando se arruinavam—o que era vulgar).

A opinião pública é, naturalmente, democrata. Os grupos privilegiados actuais tratam de a manipular, por todos os meios. Não é fácil mas o dinheiro consegue muita coisa. Por exemplo, ontem, reencaminhei um e-mail que propunha que boicotássemos a Galpe e a BPê (escrevi mal de propósito, leitor, já verá porquê!), que só metêssemos gasolinae das outras marcas para as forçar a diminuir os preços. É que, apesar da subida (eventualmente infinita, porque a Terra é finita) do "pretrólio" as companhias têm uma grande margem de lucro e há especulação. Aconteceu que grande número dos meus amigos não recebeu o e-mail (554 554 Content rejected by policy <i> (#5.7.1)); mandei outros mails, de outros assuntos, e já receberam; ou seja, algum informático brilhante “marcou” aquela mensagem para que não circulasse por e-mail; uma espécie de vírus por encomenda— claro que é legítimo pensar quem o encomendou.

Nos aviões poder-se-ia fumar nos lugares de trás se o sistema de ar condicionado estivesse preparado para isso, o ar seria puro à frente. Mas ficaria mais caro às companhias, é mais barato circular o mesmo ar dentro do avião, sem ter que o aquecer. Preferiram gastar dinheiro a manipular a opinião pública, pelos vistos foi mais barato. Nós, a opinião pública, manipulamos os nossos governos, compete-nos isso. Mas somos manipulados pelas grandes companhias, que também manipulam os governos directamente, sem nos usar como intermediários.

Hoje, no Público, jornal que leio todos os dias, o que é notícia é que seja notícia que o Eng. Sócrates tenha fumado no avião! O que nós queremos é que seja possível respirar ar puro, em alguns dos lugares dos aviões e fumar, noutros lugares. Não é um artigo pela liberdade.

Lembro-me do sítio onde meditei sobre a frase que me tinham dito, pelos meus cinco anos, tão importante me pareceu, tão a sério a levei: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.

O engenheiro que nos governa (decerto com boas intenções, de que se diz que está o inferno cheio) tem-nos incomodado com polícias a intimidar manifestantes, com a ASAE a atrapalhar os queijos, os rissóis, as bolas de Berlim, com várias parvoíces. Mas fume, Sr. Engenheiro! Não lhe queremos fazer o que não queremos que nos faça a nós. Queremos que perceba que é manipulado, que perceba que o TGV não é um desígnio nacional mas o de algumas companhias, queremos que se deixe manipular pela opinião pública mas não o queremos incomodar! Decerto pediu licença para fumar aos seus companheiros de viagem ou viajava num avião equipado para isso, não se deixe manipular por um jornal que quer vender papel e se esquece da sua responsabilidade de pensar!

P.S. Quando, depois de escrever isto, juntei a referência ao erro de entrega de e-mail, o meu anti-vírus anunciou uma tentativa (conseguida?) de entrada no meu computador. Pouco depois o internet explorer apagava-se. O sapo tinha uma cópia de segurança, que me propôs quando lá voltei e cá estamos. O que me pergunto é: por quanto tempo teremos esta maravilhosa liberdade de escrever? A liberdade é frágil.

publicado por paradoxosfilho às 09:28
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Política

O nosso primeiro-ministro teve uma oportunidade de ser paradoxal, de estar “onde a terra se acaba e o mar começa”, em vez de estar na West Coast. Teria que se desculpar junto dos seus colegas com quem se comprometeu a não fazer o referendo, dizendo que se esquecera, com o entusiasmo de ver o tratado aprovado, de que tinha um compromisso anterior com os seus eleitores. O grande defensor do tratado que o põe a referendo, essa seria uma contribuição para a democracia na Europa. Em vez disso usou as técnicas habituais de manipulação: no dia seguinte ao seu anúncio de que não faria o referendo, anunciou que abandonava a OTA por Alcochete; assim distraiu a atenção política, um clássico sound byte para esconder o outro.

Este é o assunto principal, hoje o marketing tem o lugar da velha censura, que já não é possível. E temos que aprender a combatê-lo. Porque ele pode, até, ressuscitar a censura. “Unidade anti-fascista” e diversidade de opiniões. Mas não ser lorpa, a liberdade foi sempre frágil, a Europa não é um escudo que nos proteja, é uma responsabilidade que partilhamos.                                                                        oh Portugal!

publicado por paradoxosfilho às 13:32
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

O poder é inútil 2

            Falaram-me do poder das palavras. É como falar do poder de uma escavadora, ela pode mudar um sítio mas só faz o que o seu condutor quiser. As palavras não têm poder, são um instrumento. O poder sobre a realidade pode ser bem ou mal usado. Sobre as outras pessoas é inútil, é minha convicção que se trata sempre de um uso inconveniente, prejudicial para ambas as partes, um erro.

            Mas as palavras podem evitar lutas, que são inúteis perdas de energia. Por exemplo, cabe agora a Portugal fazer a diplomacia europeia que pode evitar um confronto (não militar mas na frente económica) com a Rússia. Com as palavras podemos encontrar a verdade possível, aquela dose de verdade que as informações de ambos mostrem. Podemos ajudar-nos mutuamente a perceber que é conveniente, a ambos, um acordo e inconveniente um confronto. As palavras, ao contrário do poder, são úteis.

publicado por paradoxosfilho às 13:14
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

José Sócrates

O paradoxo:

1. O primeiro ministro deve-se demitir por se ter criado a suspeita de que pertença ao grupo dos portugueses para quem a verdade não interessa—um grupo ao qual pertence muita gente importante.

2. O primeiro ministro não se deve demitir porque tem a responsabilidade de fazer aquilo que o seu partido e os portugueses o encarregaram de fazer, tendo-se ele apresentado, de livre vontade.

 

A solução:

1. Demitir-se do grupo de portugueses para quem a verdade não interessa, por mais importantes que sejam os seus membros (exemplos: investigar se é mesmo verdade que se tem que fechar o aeroporto da Portela ou se isso é a verdade do interesse de quem lucra com a disponibilização dessa área para construir, investigar se um aeroporto novo e enorme é mesmo preciso quando o petróleo vai escassear dentro de meia dúzia de anos e as viagens aéreas vão ser as primeiras a diminuir em número, investigar se a Ota é mesmo o sítio de eleição para Portugal ou se o é para as empresas de construção civil, etc.)

2. Não se demitir da sua responsabilidade de decisor e de democrata e ouvir quem o critica (por exemplo, quem critica que se vá gastar nove milhares de milhões de euros para fazer uma linha férrea entre o Porto e Lisboa que poupa uns 20 minutos à viagem sabendo que esse é o valor da nossa maior empresa, a PT, anunciado quando a quiseram comprar; ou ouvir quem critica o processo de recrutamento de pessoal do Estado para cargos em empresas públicas com altíssimos salários— e reformas! — etc.)

3. Numa palavra: governar fazendo a realidade coincidir com a imagem que quer dar: a de um técnico inteligente, democrata porque ouve os outros, se informa e se preocupa com os mais pobres, honesto e corajoso porque não sujeito a ser intimidado por interesses outros que os do país. Quer ser mais que o que é? Seja! Porque é preciso. 


Afinal, evoluir, procurar a verdade, elevar-se à altura do que o destino pede, dos mais belos sonhos, esse é o verdadeiro papel de cada um. A forma segue a função, a imagem resulta do conteúdo, esse é que é preciso cultivar. Só com ele se criam as imagens que resistem ao tempo.

E o nosso é o tempo pós-pós-moderno, o tempo em que os sonhos se fazem reais, se tornam verdade. E os pesadelos! Acordemos imediatamente deles, como o de um País ingovernável, em que os ministros se demitem. Sonhemos antes um País que vai ajudar o Mundo a lidar com a bem próxima escassez de petróleo, com a crise climática, com a pobreza que esta globalização tem trazido, com a previsível guerra. Sonhemos soluções que não sejam cosméticas mas verdadeiras. Porque chega de "marketing", os assuntos são reais e exigem que a verdade interesse. Porque é preciso!

publicado por paradoxosfilho às 12:38
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

40 anos ago

A day in the life

 

I read the news today oh, boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well, I just had to laugh
I saw the photograph
He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure
if he was from the House of Lords

I saw a film today oh, boy
The English army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had to look
Having read the book
I'd love to turn you on.


Woke up, got out of bed
dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup
and looking up, I noticed I was late
Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke
Somebody spoke and I went into a dream
Ah


I read the news today oh, boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all 
Now they know how many holes


it takes to fill the Albert Hall
I'd love to turn you on

 

1977's Japanese artist Jun Fukamachi Sgt. Pepper's on Japan's EMI Toshiba label.  .

publicado por paradoxosfilho às 21:59
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